Sociedade

Gel vaginal com retroviral reduz risco de contágio de SIDA

Um gel vaginal contendo uma pequena percentagem do antirretroviral “tenofovir” pode reduzir em 54 % o risco de contaminação com o vírus da sida entre mulheres com parceiros infectados, revela um estudo divulgado em Viena, Áustria.

O estudo, iniciado em Fevereiro de 2007 por uma equipa de investigadores sul-africanos, pretende aferir a eficácia de um gel vaginal contendo 1% de “tenofovir” enquanto método de prevenção de contágio com o VIH em mulheres com parceiros sexuais seropositivos.

A pesquisa, divulgada no congresso internacional sobre sida que decorre em Viena até sexta feira e publicada na revista Science, abrangeu 898 mulheres sul-africanas seronegativas entre os 18 e os 40 anos, tendo 445 experimentado o gel com “tenofovir” 12 horas antes da relação sexual.

Os resultados revelaram que a incidência do VIH diminuiu em 54% entre as mulheres que usaram escrupulosamente, durante um ano, o gel microbicida.

Para os autores do estudo, este gel pode ser "importante na prevenção" da infecção com o vírus da sida, especialmente entre as mulheres com parceiros sexuais que se recusam a usar preservativos ou sejam poligâmicos.

Contactada pela agência Lusa, a médica Maria José Campos sustentou que o gel microbicida pode ser um método de prevenção "eficaz", atendendo a que, pela primeira vez, foi testado com sucesso com um medicamento activo contra o VIH.

Contudo, ressalvou, terão de ser feitos mais testes para se comprovarem os resultados, antes de ser feito o pedido de comercialização.

As mulheres representam 60 % das pessoas contaminadas com o VIH em África, onde se registam 70 % dos casos de contágio contabilizados em todo o mundo.

Redação