Apesar de estar cansada e desiludida, Manuela Martins voltou esta terça-feira a vestir a camisola preta, a empunhar a tarja que exige respeito ao Governo e a juntar-se a muitos outros professores para dar corpo ao protesto distrital que passou pelas ruas de Braga.
"Estamos cansados e desiludidos, o que é normal pelo arrastar de toda esta situação, mas estamos cá precisamente para consolidar a nossa posição. Não vamos desistir", disse ao JN a professora de 1.º ciclo do agrupamento de escolas António Correia de Oliveira, em Esposende.
Manuela Martins considera que "nada daquilo que são as pretensões dos professores foi atendido", considerando, pelo contrário, que "existem provocações" da parte do Governo, que "tenta enganar a opinião pública".
Para a docente, a recente promulgação do diploma dos concursos "foi mais um balde de água gelada" para todos os professores que se encontram na situação de contratados e "é mais um motivo" para dar força às reivindicações.
Ao longo do protesto, que começou na Arcada e prosseguiu com um desfile até à Praça do Município, os professores foram entoando várias palavras de ordem.
Às habituais "Costa, escuta, Braga está em luta" ou "A escola unida jamais será vencida", juntou-se outra mensagem forte, que pretendeu deixar bem expressa a resistência: "Não paramos".
Exigindo "respeito" do Governo, os professores visaram também o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. "Professores na rua, Marcelo, a culpa é tua!", gritaram.
"Infelizmente, esta é uma profissão que não dá estabilidade, que obriga a andar com a casa às costas e que não é atrativa", sublinhou Carla Carvalho, professora de Educação Visual e Tecnológica numa escola de Barcelos.
As greves distritais, que decorrem até sexta-feira, foram convocadas por uma plataforma de nove sindicatos.