Política

Apadrinhamento e adopção vedados a homossexuais em nome da "inclusão"

O ministro da Presidência diz que o apadrinhamento civil está vedado aos casais homossexuais, tal como a adopção, devido ao entendimento pelo Estado de que as "condições sociais não favorecem o desenvolvimento da criança nem a sua inclusão social".

"A razão de ser [para não permitir o apadrinhamento civil por pessoas do mesmo sexo] que encontramos nesta lei é exactamente a mesma do que aquela do que esta Assembleia da República aprovou a propósito da adopção", afirmou o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira.

O ministro respondia ao deputado do Bloco de Esquerda (BE) José Soeiro, que confrontou Pedro Silva Pereira com o que considera ser uma discriminação, evocando uma decisão judicial que atribuiu a guarda de um menor a um tio que mantém uma união de facto com um homem.

O ministro afirmou que o regime de apadrinhamento civil configura uma situação distinta da atribuição de guarda provisória, sendo a última "uma situação muito excepcional, muito especial, que não tem que ver com o desenho jurídico de um regime como o da adopção ou apadrinhamento, em que o Estado entende que as próprias condições sociais não favorecem o desenvolvimento da criança nem a sua inclusão social e que por isso o regime jurídico não deve proporcionar nem a adopção nem o apadrinhamento".

"Não tem que ver com discriminação, para existir discriminação tinha que haver um direito à adopção", defendeu.

Para o ministro, não existindo "um direito à adopção, também não existe um direito ao apadrinhamento".

"Mal seria que o legislador entendesse que não havia condições, que não era oportuno, ou que não havia razão para permitir a adopção por casais do mesmo sexo e fosse permitir o apadrinhamento civil por casais do mesmo sexo", sustentou.

O deputado José Soeiro considerou "paradoxal" que há um ano a lei do apadrinhamento não tivesse "nenhuma referência à orientação sexual" e passasse agora a prever esse critério na escolha dos padrinhos civis.

"Andámos para trás", lamentou. "O que esta lei faz é impedir que o juiz decida pelo superior interesse da criança", afirmou.

Redação