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Acidente do Concorde vai voltar a ser julgado

Toshihiko Sato/AP/Arquivo

O acidente de aviação do Concorde que provocou a morte, em 2000, a 113 pessoas vai voltar a ser julgado em França depois de o Ministério Público ter apresentado recurso, noticiou hoje, terça-feira, o jornal "Libération".

Em primeira instância, o tribunal tinha condenado a transportadora Continental e um dos seus empregados.

O Ministério Público recorreu da sentença anterior pronunciada pelo Tribunal de Pontoise, nos arredores de Paris, que não condenou os responsáveis franceses pela segurança do avião supersónico, segundo o diário.

O recurso do Ministério Público abrange, além da Continental, condenada porque um dos seus aviões perdeu uma lâmina de metal que, segundo a sentença, provocou o acidente, a Air France, proprietária do avião sinistrado, a EADS, que integra as empresas que construíram o supersónico, e partes civis.

Segundo fontes citadas pelo "Libération", cada um dos recursos refere-se a uma parte do veredicto, pelo que o Ministério Público optou por recorrer de toda a sentença.

A Continental não concorda que a lâmina perdida na pista pelo avião que partiu antes do Concorde seja o responsável pelo acidente de 25 de Julho de 2000, no aeroporto Roissy-Charles de Gaulle, como afirma a sentença.

O tribunal alega que essa peça de titânio foi esmagada pelo supersónico, o que provocou a explosão de um dos pneus e, consequentemente, o incêndio de um dos depósitos de combustível.

Uma parte do avião incendiou-se pouco depois de levantar voo e foi contra um hotel na localidade de Gonesse, provocando a morte dos 100 passageiros, nove membros da tripulação e quatro empregados do estabelecimento.

O veredicto também condenou John Taylor, empregado da Continental, acusado de ter feito uma reparação defeituosa que permitiu que a lâmina de metal se soltasse.

A companhia aérea norte-americana foi condenada a uma multa de 200 mil euros e a indemnizar a Air France em um milhão.

Os responsáveis pela concepção e vigilância do Concorde foram absolvidos, mas a EADS foi condenada a pagar um terço das indemnizações aos familiares das vítimas por ser considerada responsável civil por negligência.

Redação