Mundo

Ex-líder do partido anti-imigração Reform UK regressa 48 horas depois de se ter demitido

Zia Yusuf anunciou este domingo que regressará à formação de Nigel Farage Foto: Oli Scarff / AFP

Zia Yusuf, que se demitiu na quinta-feira de presidente do partido britânico de extrema-direita Reform UK, anunciou este domingo que regressará à formação de Nigel Farage, mas para assumir novas funções.

O empresário milionário, que desempenhou um papel central no crescimento do partido nos últimos meses, afirmou hoje na rede social X que recebeu numerosas mensagens “sinceras de pessoas que manifestaram consternação” com a demissão e pediram para que “a reconsiderasse”.

“Sei que esta missão é demasiado importante e que não posso abandonar as pessoas. Por isso, continuarei o meu trabalho com o Reform UK”, declarou, justificando a sua saída inicial com “esgotamento”.

Na quinta-feira, Zia Yusuf justificara a sua saída alegando já não acreditar que “trabalhar para fazer do Reform UK um governo seja um bom uso do meu tempo”.

A decisão ocorreu após criticar a nova deputada do partido, Sarah Pochin, eleita em maio passado, que questionou o primeiro-ministro Keir Starmer no Parlamento sobre se apoiava a proibição da burca no Reino Unido.

Após uma conversa com Nigel Farage, foi anunciado que Yusuf liderará a “equipa DOGE britânica para defesa dos contribuintes”, numa referência ao Departamento de Eficiência Governamental dirigida por Elon Musk nos Estados Unidos.

Yusuf tornou-se presidente do Reform UK em julho de 2024, pouco depois de o antigo partido pró-Brexit alcançar 14% dos votos e eleger cinco deputados nas legislativas, um resultado sem precedentes para uma força de extrema-direita no país.

Foi-lhe então atribuída a missão de profissionalizar o partido e preparar candidatos para as próximas legislativas, previstas para 2029.

Nigel Farage disse estar “sinceramente triste” com a demissão de Yusuf.

O Reform UK lidera atualmente as sondagens nacionais com vista às próximas eleições, ultrapassando o Partido Trabalhista, atualmente no poder.

No início de maio, venceu eleições locais em várias regiões de Inglaterra, conquistando mais de 670 mandatos em assembleias municipais e dois cargos de presidente de câmara.

O partido, no entanto, enfrenta tensões internas, que levaram à suspensão, em março, de um deputado que contestava a legitimidade de Farage.

JN/Agências