Estudo foi apresentado esta segunda-feira, 2 de junho, e traz novas conclusões inesperadas em torno do consumo do café e do envelhecimento ativo e saudável. Dados que se basearam em historiais clínicos de 47.513 mulheres, reunidos desde 1984
Uma chávena de café com cafeína pela manhã pode representar muito mais do que apenas energia. Um estudo que reúne historiais clínicos de quase 50 mil mulheres, nos últimos 30 anos, vem indicar que este hábito pode estar a ajudar as mulheres de meia-idade a envelhecerem de forma mais capaz, plena e forte.
“Embora as análises anteriores tenham vinculado o café a resultados de saúde individuais, este nosso estudo é o primeiro a avaliar o impacto em vários domínios do envelhecimento e ao longo de três décadas”, afirma a investigadora e médica da T.H. Chan School da escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard e professora no Departamento de Ciências Nutricionais, da faculdade de Medicina da Universidade de Toronto. Sara Mahdavi refere, citada em comunicado, que “as descobertas sugerem que o café com cafeína – e não o chá ou o descafeinado – pode ajudar de forma única nas trajetórias de envelhecimento que preservam a função física e mental.”
Para chegar a estas conclusões, a equipa incluiu o historial clínico de 47.513 mulheres do Nurses’ Health Study, plataforma norte-americana que reúne dados longitudinais da população feminina com incidência na evolução dos fatores de vida, saúde e doenças. A título de exemplo, esta base de dados já serviu de amostra para cerca de 3800 estudos levados a cabo pela Universidade de Harvard.
No caso desta investigação que tenta correlacionar consumo do café, com e sem cafeína, chá e coca-cola, com os fatores de envelhecimento nas mulheres, foi estabelecido que o envelhecimento saudável definia como marca a vida até aos 70 anos ou mais sem diagnósticos de 11 doenças crónicas relevantes, com boa capacidade física e mental e sem apresentar danos cognitivos ou falhas de memória.
Ora, após 30 anos de acompanhamento, os investigadores estimam que a probabilidade de envelhecimento saudável muda quando os participantes do estudo consumiam 80 mg de cafeína por dia, não havendo correlação para soluções sem cafeína, chá ou cola. Análises preliminares que tiveram em linha de conta fatores como peso corporal, tabagismo, uso de álcool, atividade física, nível de escolaridade e consumo de proteína na dieta regular.
"A ingestão moderada de café pode oferecer alguns benefícios protetores quando combinada com outros comportamentos saudáveis, como exercício regular, uma dieta saudável e evitar fumar. Embora este estudo acrescente provas anteriores que sugerem que a ingestão de café possa estar ligada ao envelhecimento saudável, os benefícios do café são relativamente modestos em comparação com o impacto dos hábitos de vida saudáveis, em geral, e justificam uma investigação mais aprofundada”, pede Sara Mahdavi.
Os investigadores relataram - no estudo apresentado na conferência Nutrition 2025, levado a cabo pela Sociedade Norte-americana de Nutrição, e que termina esta quarta-feira, 3 de junho – que o consumo de até duas chávenas de café por dia podem ser potencialmente benéficas para a maioria das pessoas, salvaguardando os casos de risco eventual para pessoas com variações genéticas ou mais suscetíveis à cafeína.
A análise requer agora revisão pelos pares, mas também novos desenvolvimentos. O caminho passa por planos de investigação em torno dos compostos bioativos específicos do café e como estes interagem com marcadores genéticos e metabólicos do envelhecimento, especialmente nas mulheres. Uma perspetiva de investigação que pode trazer luz para acompanhamentos mais individualizados, com dietas mais apoiadas em elementos que promovam longevidade e melhores capacidades cognitivas.