Justiça

Raptou ex-namorada na Gare do Oriente e violou-a várias vezes durante 21 horas

Agressor e vítima tinham combinado encontrar-se na Gare do Oriente, em Lisboa, para o homem devolver objetos e documentos Sara Matos / Global Imagens

Um homem, de 36 anos, sequestrou a ex-namorada e, ao longo de 21 horas, violou-a e agrediu-a repetidamente, num apartamento de Lisboa. Pretendia, com estes crimes, forçar a vítima, de 34 anos, a retomar a relação. Nesta sexta-feira, foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) e posto em prisão preventiva.

O casal partilhou habitação durante quatro meses, mas a relação foi sempre conturbada e, segundo a PJ, “pautada por frequentes episódios de agressões e privações da liberdade”. Apesar de viver num autêntico pesadelo, a mulher nunca apresentou queixa por violência doméstica e o caso não foi sinalizado pelas autoridades.

A violência exercida pelo companheiro levou, no entanto, a que a vítima terminasse o relacionamento no dia 21 de julho e saísse da residência que partilhava com o agressor. A decisão nunca foi aceite pelo indivíduo.

Iludiu vigilância de amiga da vítima

Já na última quarta-feira, o ex-casal combinou, para a tarde desse dia, um encontro para que o homem entregasse à vítima alguns pertences pessoais e documentos que esta tinha deixado na casa. A estação de comboios Gare do Oriente, espaço muito movimentado de Lisboa, foi o local escolhido.

Com receio de ser novamente atacada, a mulher fez-se acompanhar de uma amiga, mas, mesmo assim, o antigo namorado conseguiu engendrar um esquema para ficar sozinho com ela e, nessa altura, obrigou-a, sob ameaça, a dirigir-se a um apartamento da capital. 

Aí raptada, a vítima, lê-se no comunicado da PJ, foi sujeita a “sucessivas agressões e violações”, ao longo de 21 horas consecutivas. Com recurso a estes métodos violentos, o agressor queria forçar a ex-companheira a reatar a relação recentemente terminada.

Detenção rápida

Na manhã de sexta-feira, o indivíduo acabou por libertar a vítima e permitir que esta abandonasse o apartamento. A investigação acredita que estaria convencido que, por medo de represálias e de ser alvo de mais agressões, a mulher ficaria em silêncio, porém esta apresentou queixa do crime que tinha sofrido.

O caso foi, então, entregue à Unidade Nacional de Contra Terrorismo da PJ que, na madrugada desta sexta-feira, localizou e deteve o suspeito. A detenção teve lugar na cidade de Lisboa, da qual o agressor nunca tentou fugir. Após o interrogatório, o juiz de instrução criminal decretou a prisão preventiva do detido.

Roberto Bessa Moreira