Justiça

Testemunhas desmentem inocência da cabeleireira Inês Pereira

Cabeleireira (ao centro), ex-marido, filhos, funcionárias e testas de ferro estão a ser julgados por fraude fiscal Foto: Arquivo/Global Imagens

Duas ex-funcionárias de Inês Pereira, cabeleireira que responde por uma fraude fiscal de 1,8 milhões de euros, garantiram, esta segunda-feira, no Tribunal do Porto, que recebiam ordens diretas da patroa para desligarem os terminais de multibanco e, ao final do dia, lhe entregarem o dinheiro dos clientes em envelopes.

O depoimento das duas testemunhas foi prestado depois de, na sessão anterior do julgamento, a arguida Inês Pereira ter dito que o esquema de fuga ao fisco tinha sido "tratado pelo ex-marido", explicando também que levantava os envelopes com dinheiro vivo e entregava-os nos escritórios porque "trabalhava lá". Inês Pereira dava nome a uma dúzia de salões de cabeleireiro no Grande Porto. 

Ana Vieira, ex-funcionária que prestou depoimento esta segunda-feira, garantiu que as instruções que recebia eram "diretamente" de Inês Pereira e que esta "até explicava como deviam proceder".

Da mesma forma, outra antiga funcionária, Ema Pereira, também testemunhou e explicou que só agia "consoante o que Inês Pereira dissesse", acrescentando que esta se "encontrava diariamente no escritório" e que quem decidia o destino dos envelopes. Além disso, garantiu que, também em reuniões, a cabeleireira deu ordens diretas para dizer às clientes que o multibanco estava fora de serviço. "Não fazíamos nada sem ordens", insisitiu. 

Em causa está um esquema que inclui pagamentos em dinheiro não declarados à Autoridade Tributária. Na acusação afirma-se que haveria ordens para fechar multibancos, exatamente para receber quantias em dinheiro, que pudessem ser desviadas. 

O julgamento continuará esta semana.

Óscar Queirós