Justiça

Jovem acusada de homicídio alega que estava sob o efeito de drogas e álcool

Arguida diz que desavenças começaram no interior de uma discoteca por causa de um encontrão DR

A jovem acusada de matar outra jovem, à porta de uma discoteca em Albufeira, em abril de 2023, assumiu ter empunhado uma faca em direção à vítima, mas alegou não se lembrar de desferir o golpe fatal por estar sob o efeito de drogas e álcool.

“Se fui mesmo eu, estou aqui para assumir o meu erro e lamento imenso”, disse a arguida no julgamento que começou, esta terça-feira, no Tribunal de Portimão.

Mariana Carrilho, de 22 anos, tinha confessado a autoria do crime quando foi detida, mas agora garantiu que só o fez porque o então namorado, também arguido neste processo, a convenceu de que tinha sido ela.

Mariana responde por um crime de homicídio qualificado e está em prisão preventiva. O seu namorado na altura, José Miguel Oliveira, de 21 anos, está em liberdade, acusado dos crimes de favorecimento pessoal e ofensa à integridade física qualificada.

De acordo com a acusação, os dois participaram nos confrontos no exterior da discoteca “Club Vida”, a 16 de abril de 2023, mas apenas Mariana esfaqueou Núria, tal como atestam as imagens publicadas nas redes sociais na altura e as de vídeovigilância.

A arguida explicou que as desavenças com a vítima começaram no interior do estabelecimento e foram motivadas por “um encontrão” entre Núria e amigas de Mariana. Garantiu que, quando as amigas lhe contaram o episódio, trocou olhares com Núria e que esta a ameaçou, dizendo-lhe “lá fora a gente entende-se”.

Mariana Carrilho confessou ter entrado no "Club Vida" com a arma branca, que lhe tinha sido entregue pelo namorado, “que andava sempre armado por ter muitos inimigos e confrontos”. Escondeu-a debaixo da axila, por forma a não ser detetada à entrada, caso a sua mala fosse revistada e porque naquela discoteca “não é hábito revistarem as raparigas”. Depois, colocou-a na mala. Decidiu voltar a sair com a faca na axila para assustar Núria, caso a agredisse.

“Na rua levei logo uma chapada da Núria e peguei na faca para me defender, mas sem intenção de matar. Só depois é que o meu namorado, que se meteu entre as duas, me disse que tinha sido eu a dar a facada”, notou.

Mariana Carrilho alegou que a falha de memória se deve ao facto de ter consumido cocaína e uísques e também “devido à confusão” que se instalou, com vários jovens na rua, alguns a filmar a agressão fatal. Apenas se recorda de ver o namorado com sangue no ombro e que foi este quem lhe disse que foi ela a esfaqueá-lo a ele e à Núria.

José Miguel também quis prestar declarações. Disse não se recordar da maior parte dos factos por, no meio da confusão, ter sido esfaqueado pela namorada e por ter “levado com uma garrafa na cabeça”. Admitiu ter pegado na faca quando já estava no chão, mas alegou não ter sido ele a desfazer-se da arma branca, atirando-a para outro estabelecimento noturno, tal como consta da acusação, mas sim “uma amiga e um amigo”.

Os dois deixaram o local, a pé, e mais tarde foram detidos pela GNR. José Miguel está também acusado de ter resistido à detenção e agredido um militar, crimes que negou ter cometido.

Durante a primeira sessão foram exibidos, diversas vezes, os vídeos que mostram Mariana a golpear Núria. Familiares da vítima abandonaram a sala de audiências em lágrimas. Já os arguidos não mostraram qualquer reação.

A jovem, natural da Amadora, estava no Algarve pela primeira vez para festejar o aniversário de uma amiga. Morreu com uma facada que lhe perfurou a artéria pulmonar e provocou uma hemorragia aguda.

Marisa Rodrigues