Vila Nova de Gaia

Mãe e filha criam oficina em Gaia para pagar terapias de Pipinho

Mara e Daniela, mãe e irmã de Filipe (Pipinho) Catarina Seeman / Global Imagens

Filipe (Pipinho), de Avintes, em Gaia, nasceu com síndrome rara e não consegue ver, falar ou andar. Tratamentos custam dois mil euros/mês e a oficina criada pela mãe e pela irmã ajudam a pagar as terapias.

Está longe de ser uma história cor-de-rosa, como algumas das peças criadas por Mara Ferreira, que, apesar da vida sofrida, tem sempre mil ideias a fervilhar: das delicadas embalagens para oferecer chocolates, até canecas para pintar, chávenas de café gravadas ao gosto do cliente e vestuário estampado com motivos personalizados, passando por porta-moedas, mealheiros, velas perfumadas, luminárias e outros artigos, o trabalho não pára na recém-criada Oficina do Pipinho, no centro de Gaia.

O projeto, lançado por Mara e Daniela Ferreira, respetivamente mãe e irmã de Filipe, um rapaz de 17 anos que nasceu com a rara síndrome de Norrie, que não o deixa ver, falar nem andar, tem cariz solidário. O objetivo é ajudar a reunir todos os meses os impossíveis dois mil euros que custam as terapias intensivas de Pipinho, como também é conhecido o jovem de Avintes.

Para Mara, este trabalho criativo é ainda uma “tábua de salvação” a que se agarra para emergir da depressão funda em que mergulhou após “muitos anos” a desempenhar o intenso papel de cuidadora do filho. “É ajudar o Filipe e a mim também”, reconhece a mãe de Pipinho, que se tornou autodidata ao aprender técnicas de estampagem, gravação e impressão através de “pesquisa e de muitas horas a ver vídeos no Youtube”.

Falta uma impressora

Depois, foi “alargar horizontes”, dar asas à imaginação e agradecer a solidariedade dos que têm doado a maquinaria – ainda falta uma impressora DTF para têxtil – e de quem cedeu o espaço para a oficina, após o apelo feito no JN em fevereiro passado.

“Adoro isto. É o que me tem salvado, e foi muito graças ao Filipe. Às vezes, é a necessidade que nos obriga a descobrir capacidades que pensávamos que nem tínhamos. Achava sempre injusto precisar para o meu filho e serem as outras pessoas a ajudar e eu não fazer nada para isso”, confessa Mara, agora orgulhosa ao ver que “as encomendas têm crescido” e perceber que “as pessoas têm interesse nos produtos e na qualidade, e já não compram só para ajudar”.

“Estamos a trabalhar o dobro do que trabalhávamos”, constata Daniela.

Fazer encomendas

Além de comprar artigos solidários, é possível ajudar com donativos ou entregando sucata para a causa do Pipinho.

A par da fisioterapia intensiva numa clínica privada, Filipe tem sessões de terapia de integração sensorial, terapia da fala e snoezelen, entre outras.

É possível encomendar os artigos nas páginas Facebook “Todos juntos pelo Filipe Ferreira” e “Oficina do Pipinho”.  Daniela Ferreira trata das encomendas e gere as redes sociais.

Ana Correia Costa