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Ana Paula Martins: uma farmacêutica à frente dos destinos da Saúde

Ana Paula Martins, a nova ministra da Saúde Gerardo Santos / Global Imagens

Uma farmacêutica à frente dos destinos da Saúde: Luís Montenegro escolheu Ana Paula Martins, ex-presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte (que junta os hospitais de Santa Maria e o Pulido Valente) para a pasta da Saúde. Terá 60 dias para apresentar um plano de emergência para o SNS.

Ana Paula Martins foi bastonária dos farmacêuticos entre 2016 e 2021 e entrou para a política ativa pela mão de Rui Rio quando o anterior líder do PSD a convidou no congresso de dezembro de 2021 para fazer parte do seu núcleo duro, ascendendo à vice-presidência do PSD. Também passou pela indústria farmacêutica.

Tal facto não impediu que o Governo do PS a escolhesse para que, a 1 de fevereiro de 2023, assumisse funções como presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), um dos maiores do país. O seu nome foi proposto pelo diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde, Fernando Araújo, e foi nomeada por despacho conjunto do ministro da Saúde Manuel Pizarro e das Finanças Fernando Medina. Curiosamente compete-lhe agora decidir o que irá mudar nas competências da Direcção Executiva, cujo mandato é de três anos.

Menos de um ano depois de ter sido nomeada, em dezembro de 2023, Ana Paula Martins fez saber que abandonaria o cargo no início do ano 2024, quando entrou em vigor a reforma da criação das Unidades Locais de Saúde (ULS), mas negou que tivesse discordâncias com Fernando Araújo.

Ana Paula Martins é defensora da existência de equipas dedicadas na urgência por entender que é uma "medida muito importante" e que poderia ajudar a fazer face ao problema da recusa dos médicos em fazer mais do que as 150 horas extra obrigatórias, que no final do ano passado causou bastantes constrangimentos nos hospitais do SNS. E não deverá ter muito tempo de sossego: os sindicatos médicos já fizeram saber que esperam ser chamados para negociar atualizações salariais e de carreiras.

Recorde-se que no seu programa eleitoral, a coligação Aliança Democrática (AD) compromete-se a apresentar um Plano de Emergência SNS 2024-2025 nos primeiros 60 dias e um plano de motivação dos profissionais de saúde, que prevê incentivos, desenvolvimento de carreiras, flexibilidade de horários, entre outros.

Aumentar os rastreios e atribuir um voucher de consulta quando os tempos máximos de resposta são ultrapassados no SNS são outras propostas que deverão agora fazer parte do programa eleitoral do Governo a submeter à Assembleia da República. A AD também já fez saber que quer alterar a orgânica e as competências da Direção Executiva do SNS, uma das principais alterações levadas a cabo pelo Governo de António Costa. 

Qual a sua carreira?

Ana Paula Martins Silvestre Correia nasceu em 1965 e é licenciada em Ciências Farmacêuticas pela Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa em 1990. Completou o Mestrado em Epidemiologia na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa em 1995 e o Doutoramento em Farmácia Clínica na Faculdade de Farmácia de Lisboa em Maio de 2005. É Professora Auxiliar da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa no Departamento de Sócio-Farmácia. 

Foi Diretora de External Affairs e Market Access da MSD Portugal ( Merck &co. USA) entre 2006-2014, Diretora do Centro de Estudos de Farmacoepidemiologia da ANF entre 1994-2006 e Secretária Geral da Ordem dos Farmacêuticos entre 1989 e 1992.

Foi ainda assessora do ministro da Educação e do ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares entre 1992 e 1994, tendo responsabilidades nas áreas do Programa Nacional de Combate às Toxicodependências e no Programa de Promoção da Saúde em Meio Escolar. Foi Diretora de Relações Institucionais da ANF entre Julho de 2014 e Outubro de 2015.

Foi Presidente da Mesa da Assembleia Geral Regional do Sul e Regiões Autónomas da Ordem dos Farmacêuticos entre 2009 e 2015.

Gina Pereira