Que o resultado das europeias seja o primeiro indicador de que a máscara está a cair. E que André, afinal, não Chega para mais...
Uma das primeiras conclusões de uma análise simples sobre o modo de pensar e de agir da extrema-direita é que se trata de um movimento internacional. Nesta perspetiva, André Ventura é um aluno medíocre. Os temas que escolhe são os temas dos partidos similares. Os pontos de que parte são os mesmo dos partidos afins.
A forma de atuar nunca se altera. Utiliza a atividade ou atuação de uma pessoa concreta para de imediato generalizar. Usa o caso de um político corrupto para passar a mensagem de que todos o são. O de um emigrante que comete um crime para dizer que todos são criminosos. É uma espécie de realidade aumentada.
Espalha a insegurança e medo. Promete mais que todos os outros, como no exemplo de acabar com os impostos. Pratica o negacionismo, nomeadamente das transformações climáticas e o uso das teorias da conspiração como verdades alternativas. Tudo faz para desprestigiar as instituições e os órgãos da sociedade democrática. E acusa os jornalistas de mentir, como “inimigos do povo”.
O principal ideólogo deste movimento internacional será Steve Bannon, que foi essencial na campanha que levou Trump à presidência americana. Durante sete meses foi chefe de estratégia e assessor de Trump na Casa Branca. Deste homem são conhecidas afirmações clarificadoras como: “O medo é uma coisa boa, leva a tomar opções”. Ou: “Sou leninista. Lenine queria destruir o Estado. Esse é também o meu objetivo”. E até mesmo: “Abolir a escravatura foi uma má ideia”.
A primeira explica o uso e abuso das teorias da conspiração, do negacionismo e do ataque aos emigrantes que os vários partidos extremistas utilizam. A segunda evidencia a intenção da destruição do Estado democrático e social. A terceira mostra e dá sentido à negação dos Direitos Humanos que estes partidos seguem. A auto-comparação com Lenine tem sentido, na medida em que Bannon se considera “revolucionário”.
Steve Bannon acompanhou de perto os desempenhos de homens como Salvini, como ministro do Interior em Itália, e de Bolsonaro, no Brasil. O julgamento, e condenação, por se negar a depor sobre a invasão do Capitólio são factos quase esquecidos. O nacionalismo exacerbado é comum a todos os partidos da extrema-direita. Facto que leva, por exemplo, o VOX, de Abascal, a publicar o mapa da Península com Portugal anexado pela Espanha. Interessante é verificar o silêncio de Ventura sobre esta matéria.
A liberdade de imprensa, consolidada na Europa e nos EUA após a II Guerra Mundial, serviu para reforçar a sociedade aberta, a liberdade e a democracia. As redes sociais têm servido para expandir uma certa confusão, as “verdades” alternativas e as mentiras mais descaradas. A extrema-direita conhece o pensamento de Goebbels, principal ideólogo de Hitler: “Uma mentira mil vezes repetida converte-se em verdade”.
As verdades alternativas consistem na distorção intencional dos factos, manipulando crenças e emoções, para influenciar a opinião pública. Esta é a bússola de André Ventura e do seu partido de extrema-direita. Que o resultado das europeias seja o primeiro indicador de que a máscara está a cair. E que André, afinal, não Chega para mais...