O certame gastronómico dedicado ao cordeiro à moda de Monção, assado no forno e a pingar no alguidar de barro sobre arroz amarelo, tem preparados 320 animais para servir até domingo à noite a pessoas de todo o país e estrangeiro, principalmente das comunidades emigrantes espalhadas pelo mundo.
A organização, a cargo da Junta de Freguesia de Pias, apoiada pela câmara de Monção, apostou, este ano, na ampliação do espaço coberto e de estacionamento, à espera de acolher, em condições melhoradas, pelo menos uma afluência de público semelhante à da edição anterior.
“No ano passado tivemos cerca de 50 mil pessoas e este ano gostávamos pelo menos de manter esse número. Depende muito das condições meteorológicas e dos visitantes que vêm de longe”, disse o presidente da Junta de Pias, Gaspar Castro, descrevendo que são esperados grupos oriundos de vários pontos de Portugal. A julgar pelas reservas de refeição e contactos feitos antecipadamente, a autarquia conta com visitantes de zonas como Mafra, Sintra, Trás-os-Montes, Alentejo, Porto, Aveiro e Espinho.
Gaspar Castro contou que o público brasileiro tem uma predileção especial pela Feira da Foda. “No ano passado tivemos aqui muita gente do Brasil e cobertura da feira de um jornalista da TV Globo. Este ano continuamos a ter muitas reservas de refeição do Brasil”, adiantou, contando que “houve um grupo de empresários e associações brasileiros que desafiaram a criar um evento equivalente no Brasil. "Mas é claro que nós não vamos fazer. Somos uma junta de freguesia e o nosso intuito é dar o nosso contributo para manter viva esta feira, que é centenária e que foi revitalizada”, apontou.
O primeiro evento tal como se conhece hoje foi realizado em 2017, inspirado numa antiga feira, centenária, de venda de gado. Desde aí, tirando os três anos de interregno por causa da pandemia, o certame não parou de crescer.
“Este ano ampliamos a área coberta. Temos a feira com 4800 m2. São três tendas, com open space no meio. Fica tudo amplo por dentro, como uma só. Temos um palco central e fizemos uma ampliação do parque de estacionamento quase para o dobro”, descreveu o presidente da junta, referindo que o recinto conta "mais de um milhar de lugares sentados” e uma área de espectáculos com 1200 m2, além de animação itinerante permanente.
Uma das estrelas da Feira da Foda, será o humorista, locutor e DJ Fernando Alvim, na noite de sábado, 16. Mas a grande atração é prato que as gentes locais chamam de "foda" e que é confecionado de forma tradicional, no forno de lenha, em alguidar de barro a pingar sobre o arroz amarelo (feito com açafrão e água de um cozido à portuguesa).
Em Monção, conta-se que o nome "foda" nasceu dos maus negócios dos habitantes que iriam à feira comprar gado ovino. Para os venderem por melhor preço, os produtores usavam o truque de colocar sal na forragem dos animais, o que os obrigava a beber muita água, inchando-lhe a barriga e tornando-os mais pesados. Os incautos que não sabiam da manha compravam, mas quando se apercebiam do logro, exclamariam à boa maneira do Minho: "Que grande foda!”.
O termo vulgarizou-se e acabou por dar nome ao prato, que, hoje em dia, apesar de formalmente estar registado como "Cordeiro à Moda de Monção", é apresentado nas ementas dos restaurantes da região com o "nome artístico".