A festa da Vaca das Cordas, em Ponte de Lima, voltou a cumprir-se esta quarta-feira à tarde, como manda a tradição.
Da tourada à corda que envolve uma multidão a correr pelas ruas da vila e no areal, enfrentando e fugindo a um touro, este ano com mais de meia tonelada, resultaram cinco feridos. Aníbal Varela, da Associação dos Amigos da Vaca das Cordas e que lidera a organização da corrida há 45 anos, afirma que o facto de haver feridos (leves) significa que o animal, que veio de uma ganadaria de Montemor-o-Novo, foi boa escolha e desempenhou bem a função.
“Portou-se muito bem. Já recolheu (20.40 horas) e correu tudo bem, tirando cinco pessoas que foram para o hospital”, ironizou Aníbal Varela, sublinhando: “O INEM veio cinco vezes ao areal buscar feridos (leves). É sinal que o touro era bom. Foi dos melhores dos últimos ano. Ultrapassou as expectativas”.
Esta é uma tradição secular associada às celebrações religiosas do Corpo de Deus [encontra a sua primeira referência no Livro de Vereações do Arquivo Municipal de Ponte de Lima, no século XVII].
Nos dias de hoje, continua a cumprir-se com um animal bravio e corpulento, que ao final da tarde da véspera do feriado sai para a rua preso por cordas até à Igreja Matriz da vila, onde é atado às grades de uma janela da torre e banhado com vinho tinto. Após dar três voltas à igreja, é conduzido sempre preso pelas cordas até ao Largo de Camões e guiado para o areal da vila. Sempre seguido e desafiado por uma multidão. Os mais afoitos arriscam levar algumas marradas.
“Faz parte da tradição. Se não for assim, alguém ir para o hospital, a Vaca das Cordas não presta. Para a nossa associação não podia ter corrido melhor. Está toda a gente a dar-nos os parabéns, a dizer que o touro saiu muito bom”, comentou o organizador, que faz questão de dar continuidade a uma das mais antigas tradições de Ponte de Lima e que conta com o apoio do município. “Se Deus quiser e me der força, só a morte é que me vai separar da Vaca das Cordas”, disse ainda Anibal Varela, comentando que milhares de pessoas de vários pontos do país e da vizinha Espanha, voltaram a invadir o centro histórico e o areal do rio Lima para participarem na festividade.
“Estou muito contente. A vila está superlotada. Não podia ter mais gente do que a que tem. O tempo também ajuda, mas é impressionante como Ponte de Lima mete tantas pessoas ao fim de um dia de semana, em que toda a gente a trabalha”, concluiu