Gondomar

"Qualquer dia a lampreia fica ao preço do caviar"

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Pela primeira vez em mais de 30 anos, a Câmara de Gondomar teve de reunir os empresários de restauração do concelho para perceber se havia condições para fazer o tradicional Festival do Sável e da Lampreia, dada a escassez do ciclóstomo. Mas o evento mantém-se na agenda, agora entre 1 e 31 de março.

Mesmo com a lampreia a ser comprada ao fornecedor a 100 euros e a chegar ao prato a 160 – como na Casa Lindo, em Valbom –, os empresários acederam unanimemente ao desafio de promoverem o produto, decorrendo o festival de 1 a 31 de março, com 15 restaurantes aderentes. 

“Dada a falta da lampreia, qualquer dia esta iguaria ainda fica ao preço do caviar”, desabafou ao JN Sandra Almeida, vereadora do Turismo da Câmara de Gondomar, explicando que a opção do município este ano passa pela “promoção dos restaurantes”, mas ainda que o festival incentive a venda do pitéu “é completamente impossível um preço uniforme dada a escassez de lampreia”. 

Na Casa Lindo, que tem  um terraço com uma vista privilegiada sobre o rio Douro, já vão na quinta geração a confecionar a lampreia, “seguindo uma receita com 300 anos”, contou ao JN Gracinda Lima, 73 anos, que assumiu o restaurante há 51 anos com o marido.

Há cerca de dez anos, o casal passou a contar com a ajuda do filho mais novo, Rui, e da nora, Sofia. E, de janeiro a abril, os quatro não têm mãos a medir para tantos clientes. 

Rui conta que desde a pandemia, passaram a servir “só almoços”, o que faz com que “muitas vezes sejam cinco da tarde” e ainda tenham “gente nas mesas”. “Então com bom tempo, os clientes não arredam pé, gozando das vistas”, confidenciou.

Concurso e prémios

Com vários prémios afixados nas paredes, mãe e filho confirmam que à Casa Lindo chegam clientes “de todo o país”, vindos nesta altura especial em que há lampreia, “até do Algarve”. “Um dia destes deve estar a aparecer  um grupo de amigos, oriundos de Lisboa e de Coimbra, que todos os anos vêm de propósito à nossa casa para comerem lampreia”, referiu o empresário, enquanto salienta que “os melhores prémios são mesmo os clientes”. 

E, entre “segredos” da confeção que prefere não divulgar, a cozinheira de mão cheia lá deixou escapar que a “grande maioria faz a vinha d’alhos com vinho tinto”, enquanto ela prefere o branco.

Durante o festival decorre o concurso gastronómico para eleger os restaurantes com a melhor confeção de sável e lampreia. As provas decorrem nos restaurantes.

O júri é composto pelo chef Hélio Loureiro (presidente do júri), pelo chef  Tony Salado (do Palácio do Freixo) e por José Augusto Moreira (crítico gastronómico).

Marta Neves