Cultura

Papa-Goyas: "A sociedade da neve" é um monstro do cinema espanhol

"A sociedade da neve": um drama de sobrevivência que evolui para a inimaginável dimensão humanista, e poética, do canibalismo. FOTO: DR

História real adaptada para a Netflix conta o drama dos sobreviventes de um desastre de avião nos Andes. Realizador espanhol J. A. Bayona iguala recorde de Pedro Almodóvar e soma o terceiro Goya de melhor realizador.

Há histórias que pela sua espetacularidade merecem ser contadas uma e outra vez. J. A. Bayona, realizador espanhol de 49 anos, tentou-o e superou-se: na madrugada de ontem foi reconhecido em Valladolid, Espanha, de onde saiu coroado com 12 prémios Goya pelo seu terrífico drama real “A sociedade da neve”.

O filme da Netflix foi o papa-prémios da 38.ª edição dos Goya,  os Oscars da (cada vez maior) indústria cinematográfica espanhola. 

No currículo, J. A. Bayona conta com o filme de terror “O orfanato” (2007), o drama “O impossível” (2012) e o quinto filme da série de aventuras “Jurassic Park”, entre outros títulos.   
Agora, igualou o mítico cineasta Pedro Almodóvar, ao conseguir o seu terceiro Goya como melhor diretor, isto se obliterarmos a distinção que já obteve como melhor realizador estreante (“O orfanato”). 

Canibalismo e piedade

“A sociedade da neve” conta a história real da equipa de rugby uruguaia Viejos Cristianos que, em 1972, numa viagem de avião, se estatelou contra uma cordilheira dos Andes com 45 pessoas a bordo. Para a sobrevivência em condições infra-humanas de gelo, haverá canibalismo – e piedade e perdão –, mas o humanismo da narrativa e a sua associação à Netflix estão a fazer do filme um fenómeno de popularidade.

Falado em espanhol, é agora favorito para o Oscar de melhor filme estrangeiro – e corre ainda para o Oscar da caracterização -, enfrentando sem medo o francês "Anatomia de uma queda", que também ganhou o seu Goya. 

“Planeámos filmar a historia da 'Sociedade' quase como um documentário", disse o cineasta J. A. Bayona. "Preparámos os atores, eles conheceram os sobreviventes, ensaiaram durante dois meses e passaram 72 dias nas montanhas, para irem emagrecendo e deixando crescer os cabelos sequencialmente. Rodámos durante 140 dias”, revelou. 

Nas categorias técnicas,  o seu filme venceu as categorias de melhor montagem, fotografia, som, efeitos  especiais, direção de produção, desenho de vestuário, caracterização, melhor artista revelação ( Matías Recalt) e ainda melhor música original (Michael Giacchino), somando ainda os dois Goyas mais importantes: melhor filme do ano e melhor realizador. 

“Corno” também foi premiado

Após vencer a Concha de Ouro em San Sebástian,  o filme “O corno do centeio”, coprodução portuguesa e galega, ganhou o Goya de atriz revelação (Janet Novás).

“20.000 espécies de abelhas”, outro  favorito, conseguiu o Goya de melhor atriz secundária (Ane Gabarain), melhor direção estreante (Estibaliz Urresola Solaguren), e melhor guião original.

Os prémios de atores principais foram Malena Alterio por “Que nadie duerma”, dirigida por Antonio Méndez Esparza, e David Verdaguer, por “Saben aquell”, de David Trueba.

O melhor filme europeu é “Anatomia de uma queda”, da francesa Justine Triet - que corre também para os Oscars, cinco, incluindo o de melhor filme.

Como prenúncio do porvir, Sigourney Weaver, atriz norte-americana que ganhou o Goya Internacional e que se celebrizou no papel de Ripley, a caçadora do "Alien" no espaço, fez um elogio ao cinema espanhol e disse ter conhecido ali “verdadeiros monstros da indústria”.

Canibalismo e piedade

“A sociedade da neve” conta a história real da equipa de rugby uruguaia Viejos Cristianos que, em 1972, numa viagem de avião, se estatelou contra uma cordilheira dos Andes com 45 pessoas a bordo. Para a sobrevivência em condições infra-humanas de gelo, haverá canibalismo – e piedade e perdão –, mas o humanismo da narrativa e a sua associação à Netflix estão a fazer do filme um fenómeno de popularidade.

Falado em espanhol, é agora favorito para o Oscar de melhor filme estrangeiro – e corre ainda para o Oscar da melhor caracterização. 

“Planeámos filmar a historia quase como um documentário. Preparámos os atores, eles conheceram os sobreviventes, ensaiaram durante dois meses e passaram 72 dias nas montanhas, para irem emagrecendo e deixando crescer os cabelos sequencialmente. Rodámos durante 140 dias”, revelou Bayona. 

Nas categorias técnicas,  venceu a melhor montagem, fotografia, som, efeitos  especiais, direção de produção, desenho de vestuário, caracterização, melhor artista revelação ( Matías Recalt) e ainda melhor música original (Michael Giacchino), somando ainda o Goya de melhor filme e de melhor realizador. 

Catarina Ferreira