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Sírios e russos intensificam ataques contra Idlib

Destruição nas ruas de Idlib, bastião dos rebeldes islâmicos no noroeste da Síria Foto: Bilal Al Hammoud/EPA

Jatos russos e sírios atacaram hoje em força a cidade de Idlib, controlada pelos rebeldes islâmicos, no noroeste da Síria. O presidente Bashar al-Assad promete “esmagar” os insurgentes.

A investida aérea fustigou uma área residencial na maior cidade do enclave rebelde, junto à fronteira turca, onde cerca de quatro millhões sobrevivem em condições precárias e habitações improvisadas. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, sediado no Reino Unido, pelo menos oito pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas. 

O Exército sírio e as forças da sua aliada Rússia negaram ter visado civis, alegando que tiveram como alvo esconderijos dos insurgentes, que na noite de sexta-feira para sábado invadiram a cidade de Alepo, no maior desafio dos últimos anos ao regime do presidente Bashar al-Assad apoiado por Rússia e Irão desde o início da guerra civil, em 2011, que mantinha grande parte das linhas da frente de combate congeladas desde 2020. 

A invasão de Alepo, a leste da província de Idlib, forçou o Exército sírio, que no sábado assumiu dezenas de baixas, a reposicionar-se, mas contou rapidamente com o apoio da Força Aérea de Moscovo, aliada do regime de Damasco.  

“Os terroristas só conhecem a linguagem da força e é com essa linguagem que os vamos esmagar”, afirmou Bashar al-Assad, em declarações difundidas pelos média estatais sírios. O Exército anunciou ter recapturado várias cidades que tinham sido tomadas, nos últimos dias, pelos insurgentes – uma coligação de grupos armados seculares apoiados pela Turquia, juntamente com o grupo islâmico  Hayat Tahrir al-Sham.

Êxodo massivo de Alepo

Milhares de residentes deixaram entretanto a cidade de Alepo, tomada pelos rebeldes, deixando ruas vazias e comércio encerrado, enquanto os combatentes armados agitavam bandeiras da oposição e assumiam posições nos bairros que já controlam.  

Ahmad Tutenji, comerciante do bairro de Nova Alepo, disse, citado pela agência Reuters, estar surpreendido com a rapidez com que o Exército partiu: “Estou chocado com a forma como fugiram e nos abandonaram”.

Sílvia Gonçalves