Ursula von der Leyen deverá premiar estados que indiquem mulheres para a Comissão Europeia, como Maria Luís Albuquerque, quando grande maioria escolheu homens.
Ainda longe da paridade de género, Ursula von der Leyen deverá premiar os estados que indiquem mulheres para o colégio de comissários europeus. O que dá a Portugal a oportunidade de garantir uma boa pasta e até uma vice-presidência se optar por uma mulher, como Maria Luís Albuquerque. Quando Luís Montenegro se prepara para revelar a escolha, ex-deputados à Assembleia e ao Parlamento Europeu, ouvidos pelo JN, esperam que Portugal volte a conseguir uma pasta de peso, tal como Elisa Ferreira.
Pelo menos 22 governos já indicaram nomes, mas só meia dúzia respeitou a vontade da líder, que pediu até 30 de agosto um homem e uma mulher, exceto a quem reconduz o seu comissário. A lista dos 27 e das pastas deve estar fechada em meados de setembro. Finanças e economia são mais concorridas.
O nome de Maria Luís Albuquerque, ex-ministra das Finanças, foi avançado há mais de uma semana pelo jornal “Politico”. A intenção de Montenegro será apresentar a pessoa escolhida na Universidade de Verão do PSD. A agenda de sábado inclui um convidado surpresa e domingo é o discurso de rentrée.
Carlos Coelho, ex-eurodeputado e diretor da Universidade de Verão, recordou ao JN que, já para a primeira equipa, Ursula pediu homens e mulheres. Crê que, mais uma vez, haverá negociações para que a solução se aproxime da paridade, até porque “o Parlamento Europeu nunca vai aprovar uma Comissão esmagadoramente constituída por homens”.
PESCAS E MAR SÃO OPÇÃO
Lembra ainda que o Governo do PS começou por indicar Pedro Marques como primeira opção e depois optou por Elisa Ferreira. E concorda que “Portugal tem a oportunidade de conseguir uma boa pasta” se for uma mulher. Mas é “pouco provável” que seja em áreas financeiras e orçamentais, habitualmente entregues a quem mais contribui para o orçamento. Também “não há tradição de repetir pastas” e Elisa foi comissária da Coesão e Reformas. Entre as opções estão pescas e mar.
Vitalino Canas, ex-deputado especialista em assuntos europeus, disse ao JN que, “se indicar um nome feminino, Portugal terá melhores condições para ter uma boa pasta e uma vice-presidência” porque Ursula deverá “premiar” quem escolher mulheres e “penalizar” quem não cumprir o seu pedido. A confirmar-se o anúncio na Universidade de Verão do PSD, critica “o show” em torno de um cargo “suprapartidário”.
Pedro Silva Pereira, ex-eurodeputado do PS, recorda que a paridade foi conseguida na primeira Comissão de Ursula “de forma razoável” (12 mulheres). “Tenho esperança que, até ao final, se consiga uma boa representação de género”, disse, ao JN. Quanto a Portugal, diz que “mais importante é o perfil da personalidade que vier a ser escolhida”. E este perfil muitas vezes “indicia” a pasta preferida.