É já considerada uma das maiores burlas em pirâmide de que há registo e terá lesado, em todo o Mundo, mais de três milhões de pessoas. Em Portugal haverá perto de 160 vítimas do OmegaPro, nome do esquema que ruiu em 2023, deixando um rasto de vidas destroçadas. Luis Figo participou numa das ações de promoção.
Como em todos os esquemas de burla em pirâmide, o OmegaPro prometia rentabilidades enormes, que chegavam a 300% em 16 meses, com investimentos em produtos financeiros, como o Foreign Exchange Market (Forex), atraindo os investidores com vistosas ações de promoção em destinos paradisíacos, como o Dubai ou as Maldiva. Nessas ações, segundo o jornal Público, participavam estrelas do futebol e do cinema, como Luís Figo, Ronaldinho e Iker Casillas, ou o ator norte-americano Steven Seagal.
Haverá cerca de três milhões de lesados em todo o mundo entre os quais, segundo o Público, há 156 portugueses que não terão apresentado queixa às autoridades.
Um deles contou àquele diário que, aliciado por uma angariadora, começou por investir mil euros, que lhe renderam três mil euros ao fim de um ano e meio. E foi um pequeno passo até o antigo emigrante em França vender a sua casa, por 280 mil euros, e perder tudo quando a OmegaPro, a pretexto de um ataque informático, em julho de 2023, fechou portas.
O investimento mínimo era de 100 euros e os prémios podiam ser pagos em dinheiro, eletrodomésticos, computadores ou viagens. O dinheiro tinha de ser transferido para a empresa em criptomoedas.
O advogado de 2500 lesados, o sueco Lars Olofsson, contou ao Público que a empresa apostava em "captar pessoas que têm pouca literacia financeira" e que "não são muito ricas", criando um marketing que passava pela contratação de estrelas do futebol e "fazer convenções com gurus de liderança e de gestão em hotéis de luxo".