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Manutenção em dia e uma portuguesa a bordo: o que se sabe do avião que caiu no Brasil

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Os corpos das 62 vítimas do acidente de avião que caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo, no Brasil, começaram a ser retirados dos escombros neste sábado, enquanto investigadores realizam perícias para determinar as possíveis causas da queda. Avião tinha manutenção em dia, garante a companhia aérea.

O ATR-72 caiu na sexta-feira numa área residencial da cidade de Vinhedo, cerca de 80 km a noroeste da cidade de São Paulo, tendo mais de 20 corpos das vítimas sido já retirados da massa de ferro em que foi convertida a fuselagem do avião. Cerca de 200 pessoas estão a trabalhar neste sábado para recuperar os corpos, que serão levados para o necrotério de São Paulo. 

Esta manhã, patrulhas policiais, ambulâncias e bombeiros entravam e saíam do Residencial Recanto Florido, um condomínio num bairro tranquilo e arborizado na cidade de Vinhedo, onde o avião caiu, constatou a AFP.  A chuva persistente que cai desde a noite de sexta-feira dificulta os trabalhos, que podem levar "até dias", disse à AFP o porta-voz dos bombeiros no local, capitão Maycon Cristo.

A Voepass, companhia aérea que operou o voo, voltou a subir o número de vítimas para 62 neste sábado, após uma nova verificação da lista de passageiros. Eram cidadãos brasileiros e três venezuelanos, segundo o G1, além da vítima de nacionalidade portuguesa, confirmada pelo Governo português.

A aeronave do fabricante franco-italiano ATR viajava de Cascavel, no estado do Paraná, com destino ao aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo.  Imagens da queda mostram o avião a cair em alta velocidade, como se de uma folha se tratasse. 

De acordo com o site de acompanhamento de voos Flight Radar 24, o avião voou por quase uma hora a 17.000 pés (5.180 metros), até que às 13.21 horas, horário local, começou a perder altitude e em apenas um minuto teve uma queda acentuada para 4.100 pés (1.250 metros).

A Força Aérea Brasileira informou que a aeronave perdeu contacto com o radar às 13.22 horas.

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) abriu uma investigação para apurar as causas do acidente. Na sexta-feira, investigadores do Cenipa recuperaram a caixa-preta com os registros do voo para análise, informaram as autoridades.

Manutenção em dia


Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil, o avião, que voava desde 2010, cumpria com todas as normas vigentes e a tripulação tinha todos os certificados válidos. O diretor de operações da Voepass, Marcel Moura, disse que na noite anterior ao acidente o avião havia passado por uma "manutenção de rotina" e não apresentava "nenhum tipo de problema técnico". 

Moradores do bairro onde ocorreu o acidente descreveram ter ouvido um barulho alto e depois visto o avião desabar em queda livre. Após atingir o solo, pegou fogo e soltou uma enorme coluna de fumo, segundo vídeos gravados por moradores.

O fabricante ATR afirmou em comunicado que foi informado do acidente e que os seus especialistas "estão totalmente empenhados em apoiar a investigação em andamento". 

Em 2007, um Airbus A320 da companhia aérea brasileira TAM não conseguiu aterrar no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e caiu com 187 pessoas a bordo. O acidente deixou 199 mortos, incluindo 12 pessoas que trabalhavam na pista. 

Um Airbus A-330 da Air France desapareceu em 2009 no oceano Atlântico ao entrar numa zona de turbulência após descolar do Rio de Janeiro com destino a Paris com 228 pessoas a bordo. Não houve sobreviventes.

AFP