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Haia torna-se na primeira cidade a proibir todos os anúncios a combustíveis fósseis

Regras pretendem reduzir o uso de combustíveis fósseis Foto: Justin Lane / EPA

Haia tornou-se a primeira cidade do Mundo a proibir toda a publicidade que envolva o uso de combustíveis fósseis. Pelas ruas da cidade holandesa não há anúncios a cruzeiros, a viagens de avião ou à indústria automóvel.

A entrada em vigor da nova lei, aprovada em setembro de 2024, visa dar mais um passo contra a crise climática que o Mundo atravessa.

A proibição estende-se a todos os painéis publicitários, independentemente da sua dimensão. Estão proibidos anúncios a carros que não sejam elétricos, bem como a bombas de combustíveis ou companhias de gás, além de todos os transportes que recorram a combustíveis fósseis, nomeadamente aviões ou navios de cruzeiros.

As regras implicam uma implementação faseada por parte dos agentes publicitários e quem infingir as normas será primeiro alvo de uma advertência. Se a violação continuar, serão aplicadas multas, explica o jornal espanhol "El País".

Em 2021, a cidade de Amesterdão tinha também dado um passo nesta matéria, com a proibição a marcas de automóveis não elétricos e a viagens de avião nas estações e composições do metro.

A nova lei agora aprovada partiu de uma iniciativa do Partido pelos Animais, e foi aprovada de forma renhida, com 24 votos a favor e 21 contra.

"Dizemos que queremos atacar a crise climática e emitir menos CO2, mas depois permitimos publicidade em espaços exteriores que promovem o uso de combustíveis fósseis", problematizou Robert Barker, um dos promotores da iniciativa.

Agências de viagens prometem luta em tribunal

Dois meses depois da aprovação da nova lei, a Associação Neerlandesa das Empresas de Viagens prometeu que irá tentar reverter as novas regras em tribunal. "As empresas e as marcas também têm liberdade de expressão", afirmou o diretor da associação Frank Radstake, argumentando que as medidas terão pouco impacto na luta climática.

A contestação colhe a solidariedade da Associação dos Anunciantes que critica a medida municipal defendendo que as marcas não devem desaparecer, mas ter a possibilidade de apresentarem produtos mais limpos e mais sustentáveis.

Redação