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Uma criança por dia foi morta no Líbano em outubro

"Privados da segurança, estabilidade e do apoio que a escola oferece, muitos destes meninos e meninas ficam sem os espaços de que necessitam para brincar, aprender e curar-se", alertou a diretora da UNICEF Foto: Anwar Amro / AFP

Pelo menos uma criança por dia foi morta no Líbano desde o início da invasão do exército israelita, no dia 1 de outubro, avançou esta quinta-feira, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Pelo menos uma criança por dia foi morta no Líbano desde o início da invasão do exército israelita, no dia 1 de outubro, sob pretexto de combater o grupo xiita Hezbollah, avançou hoje o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Além disso, todos os dias ficam feridas pelo menos 10 crianças, adiantou a organização, em comunicado hoje divulgado, acrescentando que o conflito está a causar "profundas cicatrizes emocionais" aos menores libaneses.

"Milhares de outras crianças que sobreviveram fisicamente a meses de bombardeamentos contínuos estão agora em grave sofrimento psicológico devido à escalada da violência e do caos à sua volta", referiu a diretora executiva da UNICEF, Catherine Russell, no comunicado.

A responsável adiantou que "a atual guerra no Líbano está a perturbar a vida de rapazes e raparigas e, em muitos casos, a infligir graves feridas físicas e profundas cicatrizes emocionais", ao mesmo tempo que o "número devastador" de vítimas "cresce a cada dia" que passa, somando 166 crianças mortas e quase 1170 feridas desde outubro de 2023, segundo dados do Governo libanês.

Distúrbios do sono, dores de cabeça e perda de apetite

"Em todo o Líbano, as crianças mostram sinais alarmantes de sofrimento emocional, comportamental e físico", disse Russell, que detalhou que as equipas da agência têm encontrado crianças "dominadas por um medo avassalador e uma ansiedade crescente", incluindo "ansiedade de separação, medo de perda, isolamento, agressividade e dificuldade de concentração". Muitos menores "sofrem de distúrbios do sono, pesadelos, dores de cabeça e perda de apetite", especificou.

"Privados da segurança, estabilidade e do apoio que a escola oferece, muitos destes meninos e meninas ficam sem os espaços de que necessitam para brincar, aprender e curar-se", alertou a diretora da UNICEF.

Russell explicou também que o conflito "destrói os ambientes seguros e protetores de que as crianças necessitam" e argumentou que, quando as crianças são forçadas a sofrer estes "períodos prolongados de stress traumático", começam a "enfrentar sérios riscos psicológicos e de saúde" com consequências que podem durar uma vida inteira.

A UNICEF presta apoio psicológico a milhares de crianças e cuidadores desde 23 de setembro, mas, segundo a diretora, "o processo de cura só pode começar quando a violência parar", pelo que apelou, mais uma vez, a um cessar-fogo. "As crianças do Líbano precisam de um cessar-fogo permanente e imediato para que possam aceder em segurança aos serviços essenciais e começar a recuperar do trauma da guerra", disse. "Temos de trabalhar para evitar que mais crianças sejam feridas ou mortas e para proteger o futuro de todas as crianças no Líbano", concluiu.

Três mil mortos no Líbano

Cerca de três mil pessoas foram mortas no Líbano desde o início do conflito entre Israel e Hezbollah, em outubro de 2023, e sobretudo desde 23 de setembro deste ano, quando se iniciaram os bombardeamentos de Israel contra o sul e o leste do país e Beirute, a capital libanesa.

O Hezbollah iniciou ataques contra o norte de Israel a partir do sul do Líbano em apoio ao Hamas, um dia depois de um ataque do grupo islamita palestiniano em território israelita ter desencadeado uma ofensiva na Faixa de Gaza.

JN/Agências