Cultura

Trinta anos depois, um Smash 2.0

Pop punk californiano rápido e bem humorado Foto: Juan Pablo Pino/AFP

The Offspring voltaram a soar como nos anos 1990. E isso é uma coisa boa.

Trinta anos depois, os The Offspring lançaram um disco quase tão bem conseguido como Smash, o seu melhor álbum. Pode-se até dizer que estamos perante uma espécie de “Smash 2.0” tal a quantidade de vezes que “Supercharged” nos remete para esse disco incontornável que marcou toda uma geração.

Aliás, se olhássemos apenas para estes dois álbuns, nunca diríamos que se passaram três décadas entre ambos. E, tendo em conta alguns dos discos lançados pela banda nestes 30 anos - claramente medíocres, para não dizer pior -, talvez nem fosse má ideia apagar grande parte destas três décadas da cronologia dos Offspring.

O nome do disco dá a entender que a banda recarregou as energias e está pronta para mais uma volta no “mosh pit”. As músicas mais recentes comprovam-no. Com “Supercharged”, os The Offspring voltaram a criar músicas que nos ficam na cabeça e que acabamos por cantarolar involuntariamente ao longo do dia. Melodias rápidas, letras divertidas e refrães orelhudos: Offspring vintage. 

“Supercharger” tem dez temas que se estendem por 32 minutos e que se ouvem de um fôlego. “Light it up” e “Truth in fiction” facilmente entram na lista de melhores músicas da banda e não destoariam no meio do alinhamento de “Smash”. Há espaço para um bocadinho de “thrash” com “Come to Brazil”, a fazer lembrar os anos dourados de Metallica ou Anthrax, mas com cânticos futebolísticos no fim. E um par de temas mais melódicos e liceais como “make it all right”ou “Ok, but this is the last time”.

A voz e as vocalizações de Dexter Holland continuam a ser o motor das músicas. Prestes a completar 60 anos, é impressionante a jovialidade e qualidade com que ainda continua a soar a sua voz. Instrumentalmente não há muito a dizer. É pop-punk californiano: rápido, bem humorado e contagiante. 

É um disco juvenil e previsível? Sim, claramente. Mas faz sorrir, dançar e cantar. E é isso que estas músicas devem fazer. Por isso, venham mais “Supercharged”.

Tiago Rodrigues Alves