Justiça

Deputada municipal do Chega acusada de contratar o genro

Manuela Dias terá ordenado pagamentos à empresa do cunhado sem contrato Foto: Direitos reservados

Manuela Dias, deputada municipal em Loures, demitiu-se esta segunda-feira após notícia de “rombo” de 30 mil euros numa Junta de Freguesia que liderou quando ainda era do PSD.

A deputada municipal do Chega na Assembleia Municipal de Loures Manuela Dias renunciou esta segunda-feira ao mandato, depois de ser noticiado que tinha sido acusada pelo Ministério Público de crime de participação económica em negócio. Vai responder na justiça por contratar a empresa do genro para realizar atividades ao ar livre, causando um prejuízo superior a 30 mil euros à Junta de Freguesia a que presidiu.

A acusação noticiada pelo Observador é referente ao negócio feito por Manuela Dias enquanto era presidente da União de Freguesias de Moscavide e Portela, eleita pela Coligação “Loures Sabe Mudar” (PPD/PSD-MPT-PPM).

Pagamento sem contrato

Segundo a acusação, Manuela Dias contratou a empresa “Treina Encantos”, do genro, para atividades de dança e desporto ao ar livre, entre 2013 e 2017, por um valor superior a 30 mil euros. Terão sido realizados quatro pagamentos, um por ano, correspondentes a quatro atividades.

Assim, a arguida “causou prejuízos à Junta”, refere o Ministério Público, que realça que os pagamentos foram feitos por ordem de Manuela Dias sem que houvesse um contrato de prestação de serviços.

Esta segunda-feira, depois de se saber da acusação, Manuela Dias informou o Chega de que renunciará ao mandato na Assembleia Municipal. Fora eleita nas listas do Chega, em 2021, já depois de se desvincular do PSD. A renúncia foi confirmada pelo partido ao JN.

Manuela Dias informou o deputado Bruno Nunes da saída, uma vez que este é vereador sem pelouros na Câmara de Loures e é o candidato do Chega àquela autarquia nas eleições autárquicas deste ano.

Depois de virem a público múltiplos processo envolvendo dirigentes do Chega, André Ventura disse esta segunda-feira que quer que o Parlamento crie uma subcomissão de ética que possa suspender eleitos “contra a sua vontade”.

Delfim Machado