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Taiwan revoga residência de influenciadora chinesa que defendeu "reunificação" militar

A influenciadora, identificada pelo apelido Liu e casada com um cidadão taiwanês, terá a autorização de residência cancelada e não poderá solicitar uma nova durante cinco anos Foto: Direitos Reservados

Taipé revogou a autorização de residência de uma influenciadora de nacionalidade chinesa que “defendeu abertamente a reunificação forçada” entre a ilha e a China continental, informaram hoje fontes oficiais, num período de renovadas tensões no Estreito de Taiwan.

A influenciadora, identificada pelo apelido Liu e casada com um cidadão taiwanês, terá a autorização de residência cancelada e não poderá solicitar uma nova durante cinco anos, a fim de “salvaguardar a segurança nacional e a estabilidade social”, esclareceu a Agência Nacional de Imigração (NIA) de Taiwan, em comunicado.

De acordo com a agência, Liu promoveu discursos a favor da “unificação forçada” de Taiwan pela China na sua conta na rede social Douyin - a versão chinesa do TikTok - chamada “Yaya in Taiwan”, onde tem uma audiência de mais de 450.000 seguidores.

“As suas ações violaram a lei que rege as relações entre os povos da área de Taiwan e da área [da China] Continental, bem como os regulamentos conexos”, afirmou a NIA, que também apelou contra “declarações inapropriadas” destinadas a aumentar as visualizações nas redes sociais.

O ministro do Interior de Taiwan, Liu Shyh-fang, disse hoje que a liberdade de expressão “não é uma dádiva dos céus” e não pode ser usada como “desculpa para propaganda armada ou agressão militar contra Taiwan”.

“Todos compreendem que, se a fronteira da liberdade de expressão ou os limites legais forem ultrapassados, a lei será rigorosamente aplicada”, afirmou, em declarações divulgadas pela agência de notícias estatal CNA.

O caso desta influenciadora é um novo exemplo do agravamento das relações entre a China e Taiwan, uma ilha governada desde 1949 sob o nome de República da China, que tem as próprias forças armadas e um sistema político, económico e social diferente do da República Popular da China.

No entanto, as autoridades de Pequim consideram Taiwan “parte inalienável” do território chinês e não excluem o recurso à força para conseguir a "reunificação” da ilha e do continente chinês.

JN/Agências