A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, nesta terça-feira, 45 pessoas e resgatou centenas de animais na maior operação contra o tráfico ilegal de vida selvagem já realizada no Brasil, o país mais biodiverso do mundo.
Aves de cores vivas, como tucanos e araras, tartarugas, macacos e uma pitão estavam entre os 700 animais resgatados e levados para um centro especializado onode receberam cuidados veterinários. Mais de mil agentes participaram na ação no Rio de Janeiro e em outros estados, que constituiu "a maior operação da história do Brasil de combate ao tráfico de animais silvestres, armas e munições".
A "Operação São Francisco", coordenada pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), ocorreu após um ano de investigação sobre a rede de tráfico de animais mais extensa do país. A organização criminosa responsável terá operado décadas, com alguns dos membros encarregados da caça de animais selvagens em grande escala e outros do transporte para centros urbanos, onde eram vendidos.
Um grupo especializou-se em primatas, segundo a polícia: caçavam, drogavam e vendiam macacos para outros integrantes da rede. "Esse tráfico de animais não é apenas crueldade: é um corredor da morte", disse o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade do estado do Rio, Bernardo Rossi, em comunicado. "Muitos morrem antes mesmo de chegarem à venda. Isso mostra a brutalidade desse comércio", acrescentou. A quadrilha também comercializava armas e munições que eram usadas para cometer outros crimes, segundo a polícia.
Os investigadores também identificaram alguns compradores desses animais, que alimentam "toda a cadeia criminosa", apontou a força, sem fornecer mais detalhes. O tráfico de vida selvagem é um grande desafio no Brasil, com uma estimativa de 38 milhões de animais retirados do seu habitat a cada ano, segundo a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres.