Opinião

PSD reforçado, PS recuperado

Não foi preciso esperar pelo apuramento final dos votos para se perceber quem foi o vencedor das eleições deste domingo: o PSD volta a ser o maior partido autárquico português (somando as inúmeras coligações que liderou à Direita, com o CDS e até com a IL), relegando o PS para o segundo lugar. Porque é em número de câmaras conquistadas que se mede, em primeiro lugar, uma vitória, quando estão em causa 308 escolhas (para já não falar dos milhares de freguesias que também foram a votos). Mas há outros sinais que ajudam a dar corpo a essa liderança do partido de Luís Montenegro. Porque Carlos Moedas conseguiu manter a capital do país e, em particular, porque volta a liderar o Porto, com Pedro Duarte, que assim conquista a que, há muitos meses, apelidou de "cadeira de sonho". Mas há ainda um terceiro dado significativo: os cinco concelhos mais populosos do país (para além dos dois já referidos, também Sintra, Gaia e Cascais) são agora controlados pelos sociais-democratas. E se o PSD é o vencedor, é naturalmente o PS o principal derrotado. Mas foi uma derrota muito diferente da humilhação a que foram sujeitos os socialistas há bem poucos meses nas eleições legislativas. Ficou muito perto em número de câmaras do PSD e conseguiu até algumas vitórias de grande carga simbólica, ao conquistar capitais de distrito como Bragança, Viseu, Coimbra e Faro aos sociais-democratas. Para citar o seu secretário-geral, José Luís Carneiro, o PS "voltou". E "voltou", concretamente, para mostrar que o Chega está ainda muito longe de se poder considerar o segundo partido português. É verdade que André Ventura conseguiu fazer do Chega uma força autárquica relevante, com a conquista de algumas presidências de câmaras (sendo a mais importante Albufeira). Mas ficou muito longe das suas ambições: depois de um empate nas legislativas, nestas autárquicas só vale um terço dos socialistas. Últimas notas, para dar conta da contínua perda dos comunistas, que não só voltam a reduzir a sua presença autárquica, como perdem autarquias como Setúbal e Évora. Ao contrário, o CDS, que só sobrevive, a nível nacional, com a assistência do PSD, continua a ter uma presença notória no poder local. Dos restantes partidos, não reza esta história. Confirma-se, isso sim, a vitalidade dos movimentos independentes, que voltam a presidir a cerca de duas dezenas de câmaras. E, finalmente, essa outra grande vitória, que foi a do aumento da participação eleitoral. Os portugueses, no seu conjunto, deram uma bela lição de civismo. Independentemente dos candidatos que tenham escolhido. Importante, quando estamos a cerca de um ano de celebrar os 50 anos das primeiras eleições locais democráticas.

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