Desporto

Zé Maria Garcia leva Moura ao pódio na Maratona das Areias do Saara

Foto: Direitos reservados

"Cada passo no deserto é uma batalha pessoal, mas saber que posso inspirar outros a ir mais além dos seus próprios limites é a maior recompensa", confessa Zé Maria Garcia, atleta de trail natural de Moura, que no passado dia 16 de outubro conquistou o 3.º lugar na categoria de 100 quilómetros da MDS 100 Morocco 2025, uma das variantes oficiais da lendária Marathon des Sables.

Aos 28 anos, o atleta português vê o seu nome inscrito entre os melhores numa das provas de resistência mais duras do mundo. A competição, disputada em pleno deserto do Saara, é conhecida como uma "iniciação extrema" ao universo das ultramaratonas e exige dos participantes autossuficiência total ao longo de três etapas consecutivas, sob temperaturas que facilmente ultrapassam os 45°C.

Sobre a MDS

Durante os três dias da prova, cada atleta carrega consigo todo o material e alimentação necessários, recebendo da organização apenas cinco litros de água diários e uma tenda para repouso noturno. Entre dunas, planaltos pedregosos e trilhos técnicos, a resistência física e mental é levada ao limite.

A MDS 100 Morocco é considerada a porta de entrada para o MDS Legendary, a versão clássica da Maratona das Areias, com 250 quilómetros, frequentemente apelidada de "a corrida mais dura do planeta".

O desempenho de Zé Maria Garcia, além do pódio alcançado, reforça a crescente presença portuguesa neste tipo de provas de ultrarresistência.

E não é a primeira vez que o atleta de Moura desafia os extremos. Em maio deste ano, participou na maratona mais alta do mundo, realizada no Monte Evereste, onde registou o melhor tempo alguma vez alcançado por um português.
"O segredo está em respeitar o corpo e confiar na cabeça", resume, com a serenidade de quem aprendeu a correr onde quase ninguém ousa.

Com um historial em crescimento no universo das ultramaratonas e uma reputação de determinação e disciplina, Zé Maria Garcia continua a elevar o nome de Moura e de Portugal no panorama internacional do desporto de resistência.
A sua jornada no deserto é mais do que uma conquista: é um exemplo de resiliência e superação que inspira outros a encontrar, também eles, o seu próprio deserto a atravessar.

Carlos Oliveira