O título é provocador, mas não foge ao futuro que está já aí: os novos têxteis vão assentar em matérias-primas alternativas ao petróleo e a outras origens fósseis.
A mudança de atitude de produtores e consumidores permite aproveitar recursos biológicos e faz da bioeconomia a opção estratégica para defender em simultâneo os interesses do ambiente e das nossas empresas a nível internacional.
Sim, cuidar do planeta pode ser lucrativo, e não se trata apenas de faturar mais! Com os consumidores mais exigentes, a Terra a pedir ajuda e a concorrência internacional a crescer, a resposta parecia lógica: soluções para tornar o setor têxtil mais amigo do ambiente, geradoras de inovação atraente para o consumidor e que reforçassem a competitividade das empresas portuguesas, garantindo emprego.
A resposta também parecia difícil, mas foi encontrada em conjunto por 58 empresas, universidades e centros de investigação que, com o apoio do Plano de Recuperação e Resiliência e dos fundos Next Generation EU, uniram-se sob coordenação do CITEVE e traçaram o novo rumo: o be@t - bioeconomy at textiles.
Há três anos que o projeto junta quatro ingredientes essenciais - ciência, tecnologia, sustentabilidade e competitividade industrial - em busca da fórmula para transformar o setor. Em laboratórios e linhas-piloto, nascem soluções têxteis a partir de resíduos agrícolas, florestais e outros subprodutos naturais, provando que a bioeconomia é uma poderosa aliada da circularidade.
A par disso, o be@t impulsiona a aplicação das inovações no mercado, criando a ponte entre a ciência e a moda; e promove a inovação colaborativa de designers e PME para desenvolver coleções e produtos que usam os novos biomateriais e princípios de ecodesign. Além de criar tecidos sustentáveis, aposta na rastreabilidade e transparência da cadeia de valor. O objetivo é que o consumidor vista um produto sustentável e conheça a sua "árvore genealógica", garantia de autenticidade e passo decisivo para a competitividade internacional do setor.
Quando menos esperarmos, estamos a vestir peças que evocam a conhecida Lei de Lavoisier: "Na natureza, nada se cria, nada se perde; tudo se transforma".