Desporto

Farioli e o calendário: "Gostávamos de ter o mesmo tratamento mas dá mais motivação"

Francesco Farioli, treinador do F. C. Porto Foto: Miguel Pereira

O treinador do F. C. Porto, Francesco Farioli, abordou o duelo de domingo com o Estoril, no Dragão, e aproveitou o pouco tempo de descanso para ampliar as críticas feitas por André Villas-Boas à calendarização da Liga, garantindo que o sucedido vai dar mais força aos dragões.

"Vai ser mais um jogo difícil, contra uma equipa em boa forma, com muita rotação e pode defender de três ou quatro formas diferentes. Tem muita mobilidade no ataque, com uma posse fluida. É um duelo que pode ter muitos cenários, quase todos aliás, e não tivemos muito tempo para o preparar, mas o grupo é reativo a perceber as dinâmicas e vamos encarar com o espírito certo", afirmou o técnico italianos, revelando que Alan Varela está em dúvida.

O jogo com os canarinhos pode permitir a Farioli festejar a 100.ª vitória na carreira de treinador - "é sempre bom, essa é a nossas prioridade" - e voltou ao duelo europeu com o Nice para abordar a forma como Samu e Gabri Veiga lidaram com a marcação da grande penalidade. O avançado ofereceu a bola ao médio para este poder completar o hat-trick, mas a decisão foi outra.

"É importante dividir as oportunidades, queremos que os avançados marquem. Samu é o cobrador e o Gabri respeitou isso. Todos querem marcar, mas a prioridade aqui é ser equipa e o Gabri é um exemplo disso e está a chegar ao nível que queremos. Ainda tem capacidade de melhorar, pode dar mais do que isto. As expectativas são muito altas, mas nas últimas três semanas já parece um jogador diferente, com mais poder nas pernas. Se melhorar ainda mais fisicamente, isso vai ajudar as decisões técnicas. É mais exigente do que eu e, às vezes, tenho de o abrandar. É o segredo do bom momento que está a viver", destacou.

O presidente do F. C. Porto, André Villas-Boas, afirmou, no editorial da revista Dragões, que existem muitas armadilhas no caminho e o treinador comentou a declaração: "As armadilhas são coisas que não esperamos, se não não seriam armadilhas. Temos de nos manter alertas, reagir e encontrar a resposta adequada. Há coisas evidentes, como o calendário, outras que não convém comentar todos os dias. Estou feliz pelo presidente estar tão presente como está, a fazer o melhor para o clube, com muito esforço e a tentar fazer a competição justa para todos".

Ainda a propósito do calendário, Farioli deixou uma garantia: "Gostávamos de ter o mesmo tratamento dos adversários no calendário, não sendo possível isso ainda nos dá mais motivação".

A sobrecarga de jogos está a aumentar, mas o italiano vê nisso um sinal positivo: "Num clube grande esta é a rotina normal, não há nada que reclamar. Quando assinamos contrato queremos jogar mais de 55 jogos. É isto que temos de preparar, para ajudar os jogadores a estarem prontos para estes cenários. O desempenho físico tem sido excelente, corremos mais quilómetros que os adversários. Claro que é preciso ter frescura nas pernas e na cabeça, e também equilíbrio".

A seleção nacional conquistou o Mundial de sub-17 com cinco jogadores do F. C. Porto no grupo de trabalho e Farioli defende que a juventude não deve impedir a oportunidade na equipa principal dos dragões: ""Só tem 17 anos, são muito jovens. A idade não é uma limitação para ter oportunidade, no ano passado dei oportunidade a jogadores ainda mais jovens. Alguns vão ter a oportunidade para treinar connosco, outros na próxima temporada. Estamos a alinhar ideias para maximizar a qualidade destes jogadores e criar valor para o clube".

Miguel Pataco