Um apagão de grandes proporções deixou esta quarta-feira cerca de 3,5 milhões de pessoas sem eletricidade no oeste de Cuba, incluindo Havana, informou o Ministério da Energia e Minas (Minem).
A falha ocorreu no Sistema Elétrico Nacional (SEN) e afetou as províncias de Pinar del Río, Artemisa, Mayabeque e Havana, a mais populosa do país.
O diretor-geral de Eletricidade do Minem, Lázaro Guerra, explicou na televisão estatal que a interrupção foi causada por uma falha numa linha de transmissão entre as centrais termoelétricas de Ché Guevara (Santa Cruz del Norte) e Antonio Guiteras (Matanzas).
A falha provocou sobrecarga numa outra linha e dividiu o sistema, deixando toda a região oeste sem energia, levando ao desligamento das centrais de Santa Cruz e Mariel.
Outras duas centrais, Felton (Holguín) e Céspedes (Cienfuegos), também foram desligadas, embora já estejam em processo de reinício, indicou Guerra.
No total, a produção de energia foi paralisada em quatro das sete centrais termoelétricas da ilha, mas as restantes - Guiteras, Renté e 10 de Octubre - mantiveram-se operacionais.
O ministro da Energia e Minas, Vicente de la O Levy, afirmou que os protocolos de recuperação estão a ser implementados e que o fornecimento está a ser retomado, embora Havana conte apenas com 44 megawatts ligados ao SEN, valor insuficiente para a capital.
O Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, disse nas redes sociais que as equipas técnicas estão a trabalhar "incansavelmente" e atribuiu a falha às sanções dos EUA e ao furacão Melissa, que atingiu o leste da ilha há um mês.
O apagão ocorre após dias de défices recorde de geração, que já provocavam cortes diários prolongados.
Na segunda-feira registou-se o maior apagão desde o início dos registos, deixando mais de 60% do país às escuras.
Cuba enfrenta uma crise energética profunda desde 2014, marcada por avarias frequentes nas centrais obsoletas, falta de divisas para adquirir combustível e uma queda no fornecimento por parte de aliados como Rússia, Venezuela e México.
A crise tem impacto severo na economia, que contraiu 11% nos últimos cinco anos e deverá terminar o ano em terreno negativo, além de alimentar descontentamento social num país mergulhado numa grave crise estrutural.