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Uma rede para ajudar comunidades a contestar projetos

Foto: Brava Rural

BRAVA quer empoderar com conhecimento, serviços e fundos quem luta pela preservação dos territórios.

É uma nova forma de fortalecer a luta de comunidades contra o "extrativismo e a destruição ambiental". A BRAVA, rede de resistência rural, foi apresentada há um par de semanas e já está a congregar interesses.

A contestação de "comunidades rurais face a projetos de mineração, megacentrais fotovoltaicas e eólicas, barragens, resorts e outras grandes obras", que destroem ecossistemas a coberto da "instrumentalização" da urgência climática e que se desenvolvem, não raras vezes, "sem consentimento e sem retorno para as comunidades que lá vivem", foi o gatilho para a BRAVA. Guilherme Serôdio e os outros mentores perceberam que a onda de resistência era "cada vez mais palpável", mas as comunidades precisavam de conhecimento e apoio. Que era preciso dar força aos "Davides contra Golias". E puseram em marcha uma rede para ligar comunidades em luta a voluntários que as podem fortalecer com apoio financeiro, legal e estratégico.

A BRAVA começa a ganhar forma. Desde que foi apresentada publicamente, a 29 de novembro, sucedem-se as manifestações de interesse e registos na rede. Também está pronto um manual que funciona como "guia de navegação pelos labirintos administrativo-burocráticos" dos poderes públicos, contém informação sobre processos judiciais, organização e ação direta, conta Guilherme Serôdio.

Em breve o apoio disponibilizado às comunidades em luta poderá ser também financeiro, já que o movimento, que atualmente funciona sob a alçada da fundação belga Fondation Marius Jacob, está a recolher doações para constituir um fundo solidário.

No início do próximo ano deverá ser lançado um crowdfunding. As verbas aqui recolhidas, assim como outras doações, irão para uma conta e, a "cada três mil euros angariados, abre-se o processo de atribuição de apoio" às comunidades. "Para decidir como distribuir os fundos entre os pedidos recebidos, é sorteado um júri entre quem contribuiu", independentemente do valor, explica a BRAVA. Este formato pretende que o processo seja "transparente" e que se esbata qualquer "poder" que quem fizer uma doação grande pudesse ter sobre a fundação, acrescenta Guilherme Serôdio. O fundo, conclui o porta-voz, "vai funcionar tanto quanto a sociedade civil decidir apoiar este tipo de lutas e movimentos".

Zulay Costa