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Estado Islâmico celebra atentado em Sidney mas não o reivindica

Ataque foi realizado por dois muçulmanos contra multidão que assinalava a festividade judaica Hanukkah Foto: David Gray/AFP

O grupo terrorista Estado Islâmico (EI) celebrou, esta quinta-feira, ter inspirado o atentado no passado domingo contra a comunidade judaica de Sidney, na Austrália, e que provocou 16 mortos, incluindo um dos atacantes, mas não reivindicou a sua autoria.

Num editorial do seu panfleto semanal al-Naba e com o título "Orgulho de Sidney", a organização terrorista observou que, embora "ainda não tenha tido a oportunidade de confrontar diretamente os judeus, os seus soldados e simpatizantes", "nunca deixou de tentar planear ataques contra eles em todo o lado".

O ataque de domingo na praia de Bondi foi realizado por dois muçulmanos, pai e filho, contra uma multidão que assinalava a festividade judaica Hanukkah.

O pai foi abatido no local pela polícia e o filho, de 24 anos, ficou gravemente ferido num ataque que as autoridades australianas enquadraram como terrorista e antissemita e que acreditam ter sido inspirado nos padrões do EI.

No texto divulgado no seu panfleto, a organização terrorista referiu que o ataque de Sidney seguiu os seus apelos para visar judeus e cristãos durante os seus feriados e encontros.

"Transformaram o feriado de Hanukkah num funeral", comentou a organização, tratando os dois atacantes como "leões".

Na quarta-feira, a polícia australiana apresentou 59 acusações, incluindo 15 por homicídio e uma por terrorismo, contra Naveed Akram, o atacante sobrevivente em Sidney.

A Equipa Conjunta de Combate ao Terrorismo de Nova Gales do Sul declarou que o acusado ficou sob custódia policial no hospital, onde permanece internado com ferimentos graves depois de sair do estado de coma.

O ataque, que durou cerca de nove minutos, matou 15 pessoas, com idades entre os 10 e os 87 anos, e feriu outras 42 entre a multidão que festejava o Hanukkah.

Este caso é muito semelhante aos atropelamentos em massa ocorridos no primeiro dia do ano em Nova Orleães, nos Estados Unidos, que deixaram 15 mortos e dezenas de feridos, em que ao atacante assumia inspiração no EI, que também não reivindicou qualquer envolvimento.

O atentado na Austrália gerou reações políticas, com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a exigir na terça-feira que os governos ocidentais tomem medidas contra o antissemitismo e garantam a segurança das comunidades judaicas em todo o mundo.

"Seria prudente que acatassem os nossos alertas. Exijo que ajam já", declarou Netanyahu.

Logo na noite de domingo, o primeiro-ministro israelita acusou Camberra de ter "alimentado o fogo do antissemitismo" muito antes deste ataque, sobretudo quando reconheceu o Estado da Palestina em setembro, juntamente com outros países ocidentais, incluindo Portugal.

Esta relação foi recusada pelo primeiro-ministro australiano, ao mencionar que a maioria dos Estados já reconhece a Palestina.

No entanto, Anthony Albanese anunciou hoje reformas legais para fortalecer o combate contra "aqueles que disseminam ódio, divisão e radicalização".

O líder australiano explicou que o Ministério Público e o Ministério do Interior vão começar a trabalhar num pacote de medidas que inclui a criação de um crime agravado de discurso de ódio para pregadores e líderes que promovem a violência, bem como penas mais severas para discursos de ódio que incitam atos violentos.

JN/Agências