O Governo divulgou parte de ficheiros sobre Jeffrey Epstein, pedófilo morto em 2019, com muitas censuras, várias referências a Bill Clinton e menções superficiais a Donald Trump.
O prazo imposto pelo Congresso dos EUA para a divulgação dos ficheiros do pedófilo Jeffrey Epstein que o Departamento de Justiça possuía acabou na sexta-feira e o Governo Trump publicou parte do conteúdo. O material, com destaque para fotografias do ex-presidente Bill Clinton, gerou indignação pela grande quantidade de trechos censurados e pelas poucas referências a Donald Trump, que era amigo de Epstein, no que críticos do líder da Casa Branca acreditam ser uma manobra para encobrir os laços entre os dois.
Cerca de quatro mil documentos foram divulgados, a maioria fotos, apesar de o procurador-geral adjunto dos EUA, Todd Blanche, ter dito à estação Fox News, horas antes, que seriam publicados centenas de milhares de arquivos, com mais centenas de milhares a serem libertados posteriormente. Grande parte das imagens foram apreendidas pelo FBI durante buscas nas residências de Epstein em Nova Iorque e nas Ilhas Virgens Americanas.
Muitos registos são de Bill Clinton, que já tinha admitido ter viajado no jato privado de Epstein, mas que garante que não sabia dos crimes. O ex-presidente aparece numa fotografia numa banheira de hidromassagem com uma mulher cujo rosto foi censurado. Uma imagem mostra o democrata com Ghislaine Maxwell, assessora do pedófilo, responsável por ludibriar jovens para que o empresário as pudesse molestar. Outro documento mostra Clinton com os cantores Michael Jackson e Diana Ross, além de uma mulher não-identificada.
Outros nomes nos ficheiros são Mick Jagger, o ex-príncipe britânico André e a antiga mulher Sarah Ferguson, o ator Kevin Spacey e o magnata inglês Richard Branson. Trump, que foi amigo de Epstein mas nega ter tido conhecimento da sua vida criminosa, aparece em fotografias que já estavam em domínio público há décadas.
"Viola transparência"
"Simplesmente divulgar uma montanha de páginas censuradas viola o espírito da transparência e a letra da lei", disse o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, acrescentando que 119 páginas de um documento foram completamente censuradas. O congressista republicano Thomas Massie, um dos autores do diploma que exigiu a publicação dos ficheiros, acusou a Administração Trump de "reter documentos específicos".
Jackson, Clinton e Ross em foto apreendida