Gouveia e Melo acusou Marques Mendes de ser um "facilitador de negócios". O social-democrata atirou que o almirante está "desesperado"
O último dos 28 debates com os candidatos presidenciais arrancou com Henrique Gouveia e Melo ao ataque, assumindo manter dúvidas quantos a alegados "conflitos de interesses" imputados a Luís Marques Mendes. Se, para o almirante, o candidato apoiado pelo PSD é um "facilitador de negócios", para Marques Mendes, o seu oponente representa a "velha política das acusações e insinuações", que diz estar "desesperado com as sondagens".
"Tem-se tentado vitimizar, mas tem sido vítima é das opacidades. Não se lembrou de ter pertencido a uma firma que esteve ligada aos vistos Gold e Operação Labirinto", atirou Gouveia e Melo, que acusou Marques Mendes de "patrocinar interesses" , questionando "qual a sua profissão para além de comentador". "Não é contra a lei, tem a ver com ética e posicionamento", justificou o almirante, ao lançar a pergunta.
Marques Mendes começou por assumir "estima pelo almirante no tempo da vacinação", para depois se lançar ao ataque, descrevendo o oponente como "uma desilusão" que representa "a velha política das acusações e insinuações". Tendo-se defendido de seguida das acusações que abriram as hostilidades: "Angola Desk não tem história, é organização de reflexão interna na Abreu e Associados. Entrou por aqui porque é o desespero pelas sondagens. Na JMF, já expliquei, nunca fui ouvido em coisa nenhuma e nunca tive intervenção nenhuma nos vistos gold. O senhor está armado em André Ventura. Houve uma queixa anónima contra mim e o Ministério Público arquivou".
Marques Mendes afirmou depois que nos últimos 18 anos não teve "qualquer atividade política" e que "tinha que trabalhar". "Aos 50 anos saí da política, dediquei-me à advocacia e depois à consultoria. Fiz o que ninguém fez: divulguei todos os meus clientes. Quanto ao escritório de advocacia, como consultor interno tinha uma remuneração fixa e outra variável".
Reitera o almirante a acusação de que o social-democrata "usa a política para facilitar os seus negócios". "O senhor Marques Mendes não está a infringir a lei, mas é um lobista, abre portas" - insistindo que o social-democrata tem que "mostrar quais são os seus interesses".
"O senhor tornou-se um arauto da velha política", atirou Marques Mendes, para lançar no término do confronto: "O homem que está à minha frente é um homem desesperado com as sondagens, não traz uma ideia para o país".