Bancada JN

Um conto de Natal

Era uma vez uma pequena aldeia chamada Liga, perdida no território da Federação, onde viviam 33 crianças. Uma aldeia em que os seus presidentes faziam eloquentes discursos a jurar que "as crianças são o melhor do Mundo" e que "todas merecem ser tratadas por igual". O público aplaudia os ideais mas, na verdade, a maioria das pessoas da aldeia tinha uma preferência por três daquelas crianças e, apesar de jurar o contrário, não se importavam que essas tivesse m um tratamento especial.

Enquanto muitas das outras crianças passavam fome, aquelas três, filhas de pais poderosos e com interesses, regalavam-se em grandes banquetes onde não faltava nada. Numa fase mais difícil, os pais poderosos dessas crianças até chegaram a ter problemas financeiros, mas os bancos, tão implacáveis com as famílias comuns que não pagam empréstimos, acabaram por perdoar uma parte significativa da dívida. Ninguém se zangou muito, porque essas crianças eram as três preferidas da aldeia.

Neste Natal tudo se repetiu. Das 33 crianças, apenas três receberam prendas da Liga e da Federação. Uma das crianças recebeu toda a benevolência perante a sabotagem do balneário de um árbitro. Outra criança foi salva da justa reprovação numa viagem aos Açores. A terceira criança recebeu a prenda na sua própria casa durante uma visita de uns amigos de Famalicão.

O Natal é uma época muito bonita, mas na aldeia da Liga do território da Federação não é para todos. Respiremos fundo. E celebremos um Braga que está vivo, com toda a justiça e sem presentes, em todas as competições. A todos um Bom Natal.

*Adepto do Braga

Pedro Morgado