Ainda que compreenda o argumento da autonomia das Instituições, a recente decisão de diminuir para apenas uma prova de ingresso para o Ensino Superior é negativa. Não faz sentido permitir entrar no Ensino Superior com duas negativas nos exames nacionais.
Esta mudança retira a necessária estabilidade ao modelo de acesso, prejudicando diretamente os estudantes que planearam o seu percurso académico com base em regras que se julgavam consolidadas. A previsibilidade é um dos alicerces das políticas públicas e o modelo vigente não deveria ser alterado.
O sistema não pode ceder à pressão de quem encara a exigência como um obstáculo. Argumentar que muitos ficaram sem colocação por não atingirem a positiva em dois exames é ignorar que o sucesso no Ensino Superior exige bases sólidas. Curiosamente, a regra das duas provas funcionava como um mecanismo de proteção: permitia diluir o peso de um eventual "dia mau" num exame específico.
Além disso, esta medida acentua desigualdades. Ao diminuir o número dos exames nacionais, abrimos a porta à inflação de notas interna, que beneficia desproporcionalmente quem frequenta instituições com critérios menos rigorosos. Os dados são claros: nos colégios privados, as disciplinas sem exame registaram 73% de notas acima de 18, enquanto as sujeitas a exame nacional ficaram-se pelos 25%.
Baixar a fasquia para disfarçar estatísticas esconde os problemas estruturais de algumas instituições, mas não os resolve. Queremos um sistema que nos desafie a ser melhores e que valorize o Ensino Superior. A excelência não se pode negociar.