O presidente de transição sírio, Ahmad al-Sharaa, apresentou, esta segunda-feira, a nova moeda nacional, que entrará em circulação em janeiro, afirmando que a mudança "marca o fim de uma era passada e impenitente e o início de uma nova".
A nova moeda vai substituir, a partir de 1 de janeiro de 2026, a unidade em circulação do regime deposto de Bashar al-Assad, que sofreu uma grave desvalorização após quase 14 anos de guerra civil. Ao câmbio de hoje, um euro vale 13 mil libras sírias.
No discurso durante a apresentação da nova libra no Palácio de Conferências em Damasco, Ahmad al-Sharaa referiu-se a uma nova era a que "o povo sírio e os povos da região que nutrem esperanças na atual realidade síria aspiram".
Falando ao lado do governador do banco central, Abdelkader Husrieh, o presidente de transição indicou que esta moeda "expressa uma nova identidade nacional e distancia-se da veneração individual", aludindo à reprodução da imagem de al-Assad nas notas em circulação no país.
Em alternativa, a nova libra vai oferecer "formas simbólicas relevantes para a realidade síria, à medida que as pessoas vão e vêm" do país. "Ao conceber a atual moeda síria, recuperámos a memória histórica de produtos que eram originalmente abundantes na Síria", descreveu, apontando como exemplos o trigo e a azeitona.
O processo de mudança monetária foi realizado após "longas discussões", tendo em conta que "a transformação do sistema monetário é muito delicada". A substituição da moeda antiga "não significa necessariamente uma melhoria da economia, mas a facilitação das transações", esclareceu o governante. A melhoria da economia "depende do aumento dos índices de produção e da redução das taxas de desemprego na Síria", avisou o líder sírio, que alertou para uma "fase de transição sensível e delicada".
Nesta fase, al-Sharaa pediu aos habitantes sírios "que evitem o pânico" e a pressa em descartar a moeda antiga e substituí-la pela nova. "Trabalharemos para substituir toda a moeda antiga pela nova. Por isso, não há necessidade de insistir na mudança, porque isso poderia prejudicar a taxa de câmbio da libra síria", afirmou.
O governador do banco central anunciou no domingo que a troca de moedas terá um período de coexistência de 90 dias, que é renovável e será totalmente gratuita.
Guerra civil e desemprego
O regime de Bashar al-Assad foi deposto no dia 8 de dezembro de 2024 por uma coligação de rebeldes jihadistas liderados por Ahmad al-Sharaa. Desde então, as novas autoridades de Damasco têm usado um discurso de reconciliação nacional, ao mesmo tempo que tentam normalizar as relações diplomáticas com o resto do mundo e libertarem-se das sanções económicas que pendiam sobre o anterior regime.
Além da estabilidade, a Síria enfrenta numerosos desafios, a começar pela reconstrução de um país devastado pela guerra civil e pelo desemprego.