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Chefe dos banqueiros europeus "escondeu" parte do salário. Ganha mais de 700 mil euros por ano

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde Foto: Frederick Florin / AFP

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, recebe anualmente 726 mil euros, segundo uma análise do "Financial Times", um valor 55,8% superior ao salário base oficial divulgado pela instituição (466 mil euros).

Com este valor, a antiga ministra francesa recebe mais do triplo dos 203 mil euros auferidos pelo presidente da Reserva Federal (Fed), Jérôme Powell, e supera em 21% o salário da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Além do salário base (466 mil euros), Lagarde recebe 135 mil euros em prestações complementares para habitação e outras despesas. O relatório anual do BCE não revela uma visão detalhada dos serviços complementares pagos aos membros da direção.

Lagarde recebeu ainda, aproximadamente, 125 mil euros pela sua função como uma das 18 membros do conselho de administração do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês). O relatório do BCE não menciona esta remuneração e o BIS apenas divulga a remuneração total dos membros do seu conselho de administração.

A Fed confirmou ao "Financial Times" que Powell não recebeu qualquer remuneração pela sua presença no conselho do BIS, por as leis do país proibirem os funcionários públicos de receberem salários de entidades estrangeiras.

Os cálculos do "Financial Times" baseiam-se na informação anual do BCE e do BIS, bem como num documento técnico que detalha os "termos e condições" de remuneração dos principais cargos da primeira instituição. As estimativas não incluem as contribuições do BCE para a pensão de Lagarde, nem o custo dos seus planos de saúde ou de segurança, devido à falta de dados disponíveis.

O banco respondeu em comunicado que o cargo de presidente foi fixado por uma comissão de remunerações e pelo Conselho de Administração, durante a criação do BCE em 1998, e que os aumentos salariais ocorreram apenas em consonância com os aumentos que afetam todos os seus funcionários. O BCE, ao contrário das empresas privadas, não tem uma regulamentação tão rigorosa, que o obrigue a fornecer uma "ideia completa e fiável da sua remuneração".

Redação