Praça da Liberdade

Que 2026 mate a guerra

Entramos em 2026 com a sensação inquietante de que o mundo não mudou com a passagem do calendário. As guerras continuam abertas, cruas, reais. Às que já conhecíamos sobrepõem-se novas tensões, como a que agora emerge na Venezuela. Guerras fora de controlo, num mundo entregue à incerteza.

Vivemos também um tempo de impactos de catástrofes associadas às alterações climáticas. O planeta aquece, os fenómenos extremos intensificam-se e as assimetrias agravam-se. Crescem os refugiados climáticos, de guerra e políticos: pessoas empurradas para fora das suas casas por um mundo que continua a privilegiar interesses económicos e lógicas de poder.

As desigualdades sociais aumentam à escala global, com efeito dominó. Portugal e a Europa sentirão esta perturbação global na política, na economia, no clima, na coesão social e na confiança coletiva. Por isso, mais do que nunca, exige-se lucidez, capacidade de equilíbrio e sentido de responsabilidade num tempo dominado pela desinformação e insegurança.

Neste início de ano, deixo um repto simples, mas exigente: que as nossas ações se traduzam em passos para a paz. Paz nas palavras, nas escolhas, nos gestos quotidianos. Cuidar do próximo começa perto, na nossa rua, no bairro, na comunidade, na cidade, e só assim se constrói um país mais justo e um mundo menos violento.

Perante ameaças de guerra alimentadas por poderes económicos e políticas globalizadas que esquecem as pessoas, importa lembrar que há valores que não cabem em mercados nem em armas. Como nos recorda O Principezinho, "o que é essencial é invisível aos olhos". Talvez seja precisamente aí que reside a verdadeira resistência e a única paz duradoura.

Paula Teles