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"Não será por mim que António José Seguro não será presidente", assume Jorge Pinto

Jorge Pinto desafiou os candidatos de esquerda a evitarem um cenário de vitória da direita Foto: António Cotrim/Lusa

O candidato presidencial Jorge Pinto afirmou esta terça-feira que não será por si que António José Seguro não será presidente da República, desafiando os restantes candidatos da esquerda a evitarem uma vitória da direita nas eleições deste mês.

"Não será por mim que António José Seguro não será presidente da República", afirmou o candidato apoiado pelo Livre no único debate com os 11 candidatos às eleições presidenciais transmitido pela RTP.

Jorge Pinto desafiou ainda os candidatos de esquerda a evitarem um cenário de vitória da direita que venha a permitir uma revisão da Constituição da República.

"Não falharei aos portugueses. No que de mim depender, a esquerda passa à segunda volta", respondeu Jorge Pinto, quando questionado, mais uma vez, sobre a possibilidade de desistir da corrida à sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa.

Em resposta, António Filipe voltou a responder que vai levar a candidatura até ao fim e Catarina Martins considerou "tudo isto muito confuso". "Fica claro neste debate que Jorge Pinto considera que esquerda deve ir votar num candidato que deixou passar cortes no subsídio de férias e no subsídio de Natal no tempo da troika e que diz que voltaria a fazer", referiu.

Já António José Seguro, apoiado pelo PS, disse que não vai desistir e que não fez acordos com ninguém, mas sustentou que compreende o que o candidato Jorge Pinto coloca em cima da mesa em relação Constituição.

O segundo tema em destaque no único debate em televisão foi as competências de um chefe de Estado com o candidato apoiado pelo PS a garantir que não será um primeiro-ministro sombra, sublinhando que um Presidente da República (PR) deve "exercer a sua magistratura sem qualquer cedência a interesses".

Já André Ventura, líder do Chega, afirmou que o cargo não é para que o chefe de Estado "seja uma jarra" e acusou Seguro de querer ter "um pacto para tudo" e Marques Mendes de "ser o Presidente do Governo".

"Não precisamos de um Presidente que seja a marioneta de Luis Montenegro", disse o também presidente do Chega.

Henrique Gouveia e Melo criticou o sistema político de ter "muito de cinismo" e disse que viu na candidatura de Seguro "um casamento de conveniência" com os costistas, frisando que quer contribuir "para a estabilidade do país".

Por sua vez, Marques Mendes, apoiado pelo PSD e CDS, afirmou que o seu modelo de Presidente "não é amigo" nem de "adversário de Governo", mas sim de "árbitro com a preocupação de dar condições políticas" ao executivo para governar durante a legislatura "para ter tempo para apresentar resultados e resolver problemas na saúde, na habitação, no combate à pobreza".

"Agora, aquilo que eu vejo aqui da generalidade dos meus adversários, é isto: são todos muito independentes, mas o grande objetivo é criar dificuldades ao Governo", disse.

Para Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), um PR não governa e não deve fazer sombra ao Governo, destacando que o Presidente da República "deve deixar o Governo governar, sabendo o que está a ser feito, mas tem a obrigação de intervir".

Já António Filipe, apoiado pelo PCP, garantiu que não é um candidato partidário, mas defendeu "outro rumo para o país" e disse que não se conforma com os baixos salários.

Por sua vez, Catarina Martins (apoiada pelo BE), também defendeu que o chefe de Estado deve "equilibrar" e "lançar debates" sobre áreas importantes para melhorar as condições de vida da população.

O sindicalista André Pestana manifestou-se "totalmente contra a reforma laboral que está a ser redigida" e defendeu a diminuição da idade da reforma.

O pintor Humberto Correia disse que "é preciso construir habitações", avançando com cerca de cem mil casas por ano com poucas dezenas de metros quadrados para serem arrendadas a preços que os portugueses podem pagar.

Já o músico Manuel João Vieira falou que "proibia a doença" e considerou que "há uma falha na Constituição".

"Eu tentaria seduzir o Governo para inscrever na Constituição o direito à felicidade. Não me parece que este Presidente tenha contribuído para o direito para a felicidade", disse.

JN/Agências