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André Pestana não quer nem mais um euro para a NATO

O candidato a Belém, André Pestana Foto: Paulo Novais/Lusa

O candidato presidencial André Pestana defendeu, este sábado, que a guerra que os portugueses devem travar é contra os baixos salários e reformas, a degradação ambiental e dos serviços públicos, não se enviando "nem mais um euro para a NATO".

"Sou o único candidato que diz abertamente 'nem mais um euro para a NATO', porque Portugal aceitou, o Governo português aceitou, a imposição de Trump [presidente dos Estados Unidos] e da NATO de passarmos a gastar 5% do nosso PIB [em defesa]", destacou.

André Pestana participou, esta tarde, na sua primeira arruada, que saiu do Largo da Portagem e rumou à Baixa da cidade de Coimbra, onde procedeu à distribuição de folhetos.

Pelo meio foi abordado por alguns jovens que lhe pediram para explicar o que defende enquanto candidato ou para tirar fotografias, seguindo depois pelas ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz, na companhia da sua comitiva e de um boneco com a cara de André Ventura, envergando um saco que representavam 5 milhões de euros anuais em subsídios.

De acordo com o candidato presidencial, no ano passado Portugal gastou cerca de 4.400 milhões de euros em defesa.

"Se cumprimos os 5%, nós iremos passar a gastar anualmente cerca de 15 mil milhões: é mais do triplo! Ou seja, sou o único que diz claramente uma coisa: a guerra que nós temos de fazer não é contra os outros povos!", afirmou.

No seu entender, Portugal não precisa e não pode "alimentar a indústria do armamento", que "em grande parte é alimentar a indústria do armamento dos Estados Unidos".

"E isso tem consequências, torna-nos cúmplices do genocídio como aconteceu, por exemplo, e continua na Palestina, porque grande parte das armas que Israel usa são armas norte-americanas. Torna-nos cúmplices do que aconteceu na Venezuela e vai nos tornar cúmplices dos próximos ataques", sustentou, aludindo ainda a recentes afirmações de Donald Trump sobre a Gronelândia.

André Pestana considerou que "é uma desgraça haver tanto silêncio, cumplicidade ou o tal espírito Cristiano Ronaldo, quando também ele foi cúmplice".

"Tenho dois filhos e sei que muitas pessoas ficam assustadas, por exemplo, com o discurso de um dos candidatos, o almirante Gouveia Melo, que disse, há alguns meses, que se a NATO disser, os portugueses têm de estar preparados para morrer onde a NATO disser", referiu.

Do seu adversário recordou ainda declarações em que terá dito "que tem que haver uma forma expedita de mobilizar a nossa juventude".

"Não disse serviço militar obrigatório, porque sabe que isso seria altamente impopular, mas, desculpem lá, uma forma expedita de rapidamente mobilizar os nossos jovens, podemos usar o eufemismo que quiserem. Eu digo claramente que não quero que os meus filhos morram na guerra da NATO ou de outros interesses, pois uma coisa é defendermo-nos quando somos invadidos", argumentou.

Aos jornalistas, Pestana lembrou ainda a invasão de Timor-Leste pela Indonésia, no dia 07 de dezembro de 1975, considerando que "Portugal foi atacado", porque, "segundo a Carta das Nações Unidas, Timor-Leste pertencia a Portugal", já que o território não era independente.

"Defendo o direito à autodeterminação dos povos, mas legalmente, pelo direito internacional, Timor pertencia ainda a Portugal, quando foi invadida pela Indonésia e a NATO não foi lá defender Portugal", concluiu.

Concorrem às eleições presidenciais 11 candidatos, um número recorde, e a campanha eleitoral decorre até 16 de janeiro.

Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.

Esta é a 11.ª eleição, em democracia, desde 1976, para o presidente da República.

JN/Agências