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António Filipe quer "sobressalto democrático" e um "novo rumo" para o país

O candidato presidencial António Filipe Foto: Manuel Fernando Araújo/Lusa

O candidato presidencial António Filipe disse, este sábado, que o estado a que o país chegou exige um "sobressalto democrático", defendendo um "novo rumo" e criticando os candidatos do consenso neoliberal que "saudaram a legalização" do "lobbying".

"É a candidatura que sabe que o estado a que o país chegou exige um sobressalto democrático e que pretende dar corpo, dar voz e dar expressão eleitoral a esse sobressalto", afirmou António Filipe, que falava num comício, em Vila Nova de Gaia, Porto, e que foi, até agora, a sua maior ação de campanha.

A iniciativa juntou, segundo a organização, cerca de 800 apoiantes no espaço Herança Magna e contou com a presença do secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo.

"A minha candidatura é a que exige um novo rumo para o país, com a valorização dos salários de quem trabalha e o aumento das reformas e pensões de quem trabalhou uma vida inteira e merece viver dignamente os seus últimos anos de vida, com a valorização dos serviços públicos e das carreiras de funções públicas e sociais, com o reforço do Serviço Nacional de Saúde", salientou.

Para reforçar que a sua é também a "candidatura que exige um novo rumo para o país, em que a política da habitação não seja refém dos interesses mobiliários, em que não faltem professores nas escolas, em que os jovens tenham acesso aos graus mais elevados de ensino e não tenham de emigrar para ter salários decentes".

Mas, o candidato à Presidência da Republica apoiado pelo PCP e pelo PEV defendeu ainda um novo rumo na justiça e na distribuição de riqueza, na defesa da produção nacional e, entre outros, na "rejeição da submissão externa à União Europeia e à Nato, com a recusa da guerra e da corrida aos armamentos e a defesa da paz e da cooperação".

"Num mundo perigoso e inquietante em que vivemos, temos de ter a coragem de lutar para a paz e de enfrentar os ventos de guerra com que nos querem fustigar. A defesa da paz não é um discurso de 'miss mundo', é uma luta pela sobrevivência da humanidade", defendeu.

Neste discurso em Gaia, António Filipe voltou a criticar os candidatos a que tem chamado do "consenso neoliberal" e que são, na sua opinião, "os que estão juntos na defesa das privatizações e na entrega de empresas estratégicas nas mãos do capital estrangeiro".

E exemplificou com a privatização da ANA Aeroportos, com os CTT, a EDP, a REN ou a GALP.

"Foram os candidatos do consenso neoliberal, a que entretanto se juntaram os da extrema-direita, a liberal e a populista, que pactuaram com a corrupção que envolveu estas privatizações e que se alimenta da promiscuidade entre o poder económico e o exercício de poderes públicos, e que agora vêm saudar a legalização do tráfico de influências por via da legalização do 'lobbying' que apresentam, hipocritamente, como se fosse uma fantástica medida de combate à corrupção", afirmou.

Acrescentando que os "candidatos do consenso neoliberal para obter votos lamentam agora as consequências das políticas que sempre defenderam e que puseram em prática".

"Foi contra esse consenso neoliberal que a minha candidatura avançou e que se afirma como a candidatura que exige um novo rumo para o país, identificada com os valores pelos quais se fez a Revolução de Abril", sublinhou ainda.

António Filipe volta a contar com a presença de Paulo Raimundo num comício no domingo, em Lisboa.

Os candidatos às eleições presidenciais de 18 de janeiro são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.

JN/Agências