Nacional

Catarina Martins assinou vinho, mexeu tacho e comprou tremoços para apoiar produtores locais

Foto: Paulo Novais/EPA

Nos Mercadinhos da Margem Esquerda, em Coimbra, a candidata presidencial Catarina Martins assinou uma garrafa de vinho, mexeu o tacho do almoço e comprou tangerinas e tremoços para apoiar produtores locais e associações de solidariedade social.

"Não só tem um ótimo nome, como, ainda por cima, tem várias coisas que são boas. É um mercado de produtores locais, que é extraordinariamente importante para a economia, para o ambiente, para tudo", disse aos jornalistas.Nos Mercadinhos da Margem Esquerda, em Coimbra, a candidata presidencial Catarina Martins assinou uma garrafa de vinho, mexeu o tacho do almoço e comprou tangerinas e tremoços para apoiar produtores locais e associações de solidariedade social.

Quando falou nas "várias coisas boas", Catarina Martins já tinha passado por várias bancas de produtores locais, mas continuou a visita fazendo questão de ver o máximo possível, naquela que foi a sua passagem mais demorada por um mercado desde o início da campanha.

Logo à chegada, uma estreia: "Claramente, é a primeira vez que estou a assinar uma garrafa de vinho", brincou, depois da primeira tentativa, que não correu tão bem, enquanto Ana Ferreira, a produtora dos vinhos, se apressava para ir buscar outra garrafa.

"É para a minha coleção. Tenho lá garrafas assinadas também pela Rosa Mota e outras", contou, ouvindo da candidata que ficaria lisonjeada se a "sua" garrafa fosse colocada ao lado daquela assinada pela campeã olímpica.

"Quando era miúda, fiquei com o meu avô acordada para ficar a ver a maratona", recordou sorridente.

Depois do autógrafo, Catarina Martins insistiu para comprar uma garrafa, mas a produtora fez questão de oferecer, dizendo: "Nós, mulheres empreendedoras, contamos consigo".

À semelhança de Ana Ferreira, Catarina Martins encontrou sobretudo mulheres comerciantes. "As mulheres metem-se ao caminho para criar soluções, mesmo quando as coisas são difíceis", elogiou a candidata às eleições presidenciais de dia 18.

Mais adiante, parou na banca da Associação Integrar, que vende naquele mercado mensal promovido pelo Exploratório - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra e que realizou hoje a 13.ª edição, os alimentos colhidos na quinta para angariar fundos para a instituição.

Em troca de um saco de tangerinas e outro com tremoços, Catarina Martins deixou o seu contributo para a associação e continuou a visita, com sucessivos convites para provar os produtos, a que foi resistindo por considerar que ainda era cedo.

Abriu, finalmente, uma exceção para provar pera desidratada, que nunca tinha comido, e mais à frente outra fruta -- ou, melhor, um tubérculo, chamado Yacon, que, segundo o produtor, é consumido cru como se fosse fruta -- que também não conhecia.

Perto do meio-dia, os aromas da comida que em algumas bancas era preparada para o almoço fazia sentir-se no ar, misturados com o fumo das pequenas fogueiras espalhadas pela rua.

Numa dessas, a ementa era feijoada, preparada com os feijões da Dona Rosa, da banca ao lado, e os cogumelos produzidos no Exploratório. Desafiada pelo 'chef', Catarina Martins deu uma ajuda e parou para mexer o tacho.

Pelo caminho, e antes de terminar a visita encurtada devido a outros compromissos de agenda, a candidata a Belém ouve ainda de outro vendedor: "Dia 18, lá estaremos".

Debate sobre habitação no Porto

Catarina Martins promoveu um debate sobre habitação no Porto e ouviu os desabafos de vários portuenses que assistiram ao Laboratório da Felicidade com queixas sobre o preço das casas e a gentrificação da cidade.

Valores das rendas incomportáveis, uma cidade cada vez mais reservada às elites ou falta de habitação pública. Estas foram algumas das queixas ouvidas por Catarina Martins durante o Laboratório da Felicidade, que promoveu na Associação de Moradores da Bouça, no Porto.

Por "felicidade", a candidata pretendia debater a qualidade de vida nas cidades e como a atual crise na habitação e as medidas promovidas pelo Governo - que já tinha criticado durante a manhã - contribuem também para uma crise da comunidade e do regime democrático.

"É mesmo o momento em que o presidente da República tem de atuar", sublinhou a candidata, que defendeu a necessidade de "políticas a sério para baixar o preço da habitação" e insistiu que, se eleita, será "um travão de emergência".

Ao lado da socióloga Lígia Ferro e dos arquitetos Bernardo Amaral e Frederico Moura e Sá, Catarina Martins pediu sugestões de como travar essa luta e melhorar a vida nas cidades, não só no que respeita à habitação, mas também ao espaço público.

"As cidades já não são de todos e temos de pensar em modos de superar esse território em disputa que constituem hoje em dia", lamentou Lígia Ferro, que defendeu o visão de "urbanismo para o quotidiano" que coloque a vida das pessoas no centro, processos coletivos de decisão, a mobilização de conhecimento no âmbito das ciências sociais e humanas, e um olhar mais atento para a cultura e as artes, a mobilidade e a segurança.

Já Bernardo Amaral foi insistente na defesa de que a resposta para os problemas da habitação passam pelas corporativas, que defendeu ser o modelo de produção de habitação não especulativo.

"É importante que haja a capacidade de ver a habitação não como um problema a resolver, mas ter uma política de habitação continuada e estruturada", continuou, sublinhando também a importância de as cidades serem organizadas pelas comunidades e para as comunidades, precisamente através de associações e cooperativas.

Frederico Moura e Sá, por seu turno, considerou que "os espaços públicos hoje são carros", um reflexo do comportamento social dominante.

"Faltam árvores, passeios, faltam crianças no espaço público", lamentou o arquiteto, que defendeu uma ideia de rua como espaço de interação social e de encontro como "o caminho para uma sociedade mais justa e mais empática".

No final de perto de duas horas de debate, Catarina Martins rejeitou narrativas de que "não há soluções para as crises da nossa vida".

"Elas existem e se conseguimos aqui ter soluções e gente que as tem testadas para crises do nosso tempo, imaginem uma presidente da República que se esforce" por ouvir esses contributos, concluiu, prometendo ser essa chefe de Estado se for eleita no dia 18 de janeiro.

JN/Agências