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Trump impõe tarifas de 25% a países que façam negócios com o Irão

A repressão das novas manifestações no Irão tem sido severa Foto: Joe Klamar / AFP

O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou esta segunda-feira a imposição de tarifas de 25% a qualquer país que faça negócios com o Irão.

"Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irão pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos da América", afirma Trump numa publicação nas redes sociais.

"Esta ordem é definitiva e sem recurso", sublinha, numa altura em que o regime de Teerão enfrenta uma das maiores ondas de protestos dos últimos anos, a que tem respondido com força letal, fazendo centenas de mortos, segundo organizações não-governamentais (ONG).

Há 10 dias, o líder da Casa Branca indicou que ia apoiar os manifestantes caso as autoridades iranianas disparassem contra eles e, também hoje, afirmou que dirigentes iranianos o contactaram para negociar no seguimento de ameaças de uma ação militar em resposta à violência durante os protestos.

Trump pretende ainda o envio de satélites da empresa Starlink, do bilionário Elon Musk, de forma a garantir que a população se mantenha online.

Em junho passado, Israel e EUA realizaram ataques aéreos contra instalações ligadas aos programas nucleares e de mísseis balísticos do Irão, num conflito aberto que durou 12 dias.

A repressão das novas manifestações tem sido severa, e as autoridades restringiram o acesso à Internet em todo o país.

Segundo a ONG Iran Human Rights (IHRNGO), pelo menos 648 manifestantes foram mortos em 14 províncias no Irão desde 28 de dezembro, data do início da nova vaga de protestos contra as autoridades de Teerão.

Entre os mortos, estão nove menores, indicou a organização com sede na Noruega, que registou ainda milhares de feridos e estima que o número de detidos ultrapasse os dez mil.

Algumas estimativas, que a ONG não conseguiu verificar, sugerem um número de mortos bastante maior, atingindo mais de seis mil, acrescentou em comunicado no seu site.

"Devido ao bloqueio da Internet desde 8 de janeiro e às severas restrições no acesso à informação, é extremamente difícil verificar estes relatos de forma independente", observou a IHRNGO.

Os dados da IHRNGO dizem respeito apenas a casos verificados diretamente ou através de duas fontes independentes e incluem também relatórios e documentação de hospitais e locais de recolha dos corpos das vítimas.

A organização referiu que as autoridades da República Islâmica descreveram os manifestantes como "arruaceiros, 'mohareb' (inimigos de Deus), terroristas e agitadores, associando-os a Israel e aos Estados Unidos, crimes puníveis com a pena de morte".

Nestes casos, alertou, as autoridades prometeram tratá-los "severamente e rapidamente" em tribunais especiais dos tribunais revolucionários.

No comunicado, a IHRNGO manifestou "profunda preocupação com a escalada e a continuidade dos assassínios de manifestantes, bem como com o risco de execuções em massa", apelando para "uma resposta imediata" da comunidade internacional.

"O assassínio generalizado de manifestantes civis nos últimos dias pela República Islâmica faz lembrar os crimes do regime na década de 1980, que foram reconhecidos como crimes contra a humanidade", comentou o diretor da IHRNGO, Mahmood Amiry-Moghaddam, citado no comunicado, destacando que "o risco de execuções em massa e extrajudiciais de manifestantes é extremamente grave".

"Aviso" aos EUA

Motivados pelos comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, milhares de iranianos aderiram a esta nova vaga de protestos que se espalhou por mais de 100 cidades.

O Irão tem uma taxa de inflação anual superior a 42% e, durante o ano passado, o rial perdeu 69% do seu valor face ao dólar, num contexto em que a economia foi fortemente atingida pelas sanções dos EUA e da ONU devido ao programa nuclear.

O líder supremo do Irão considerou que a mobilização de apoiantes do Governo, que saíram hoje às ruas em resposta à vaga de protestos no país há duas semanas, é um aviso aos Estados Unidos.

"Este foi um aviso aos políticos norte-americanos para que parem com as manobras enganadoras", declarou Ali Khamenei, de acordo com a televisão estatal, após repetidas ameaças do líder da Casa Branca, Donald Trump, de uma intervenção militar em apoio dos manifestantes antigovernamentais.

O líder supremo iraniano acrescentou que estas "manifestações maciças e determinadas frustraram o plano de inimigos estrangeiros", que seria executado por "mercenários iranianos".

Imagens divulgadas pelos meios de comunicação social estatais mostraram expressivas manifestações em Teerão e em várias partes do país de apoio às autoridades iranianas.

JN/Agências