E chegamos ao dia decisivo de umas eleições catalogadas como as mais renhidas de sempre. Na verdade, e se a profecia se cumprir, este será apenas o primeiro de dois dias decisivos. O segundo será dentro de três semanas, a 8 de fevereiro, quando os eleitores forem chamados a uma segunda volta. Mas vamos por partes, que já é suficiente saber que esta é a quinta vez, em menos de dois anos, que somos chamados às assembleias de voto. E se é verdade que foram mais do que a conta, nenhuma delas foi menos importante por causa disso, nem nada disso impede que cada um fique isento de exercer o seu dever. Sim, votar é um direito, mas também uma obrigação, não legal, mas cívica. No fundo, o "preço" a pagar para podermos viver numa democracia saudável. Se pensarmos nas dezenas de países em que os cidadãos não podem fazer as suas escolhas livremente. Se recordarmos o nosso próprio passado, ou dos nossos pais e avós, obrigados a comer e a calar, percebemos melhor porque nos devemos empenhar em sair hoje de casa para ir depositar um voto numa urna.
Nas últimas eleições presidenciais a taxa de abstenção rondou os 60%. Se retirarmos os emigrantes dessas contas (os obstáculos ao voto são intransponíveis para a maioria), foram 55%, ou seja, mais de metade dos eleitores. De então para cá, a situação melhorou. Contando apenas os que residem em território nacional, nas legislativas de maio a abstenção foi de 35%, e nas autárquicas de outubro foi de 40%. Com umas eleições tão competitivas como as que se anunciam para hoje, é natural que a taxa de abstenção se reduza, pelo menos na comparação com as últimas presidenciais (o vencedor era conhecido à partida, estávamos em tempo de pandemia, a campanha foi entre o morna e o inexistente). Mas é bem provável que o candidato com mais votos seja aquele que não está no boletim de voto, ou seja, que a percentagem de abstencionistas seja muito superior ao candidato mais votado. Se calhar, até à soma dos dois candidatos que vão passar à segunda volta. E isso não seria seguramente um bom contributo para a saúde da democracia no nosso país. Fica por isso o apelo: saia de casa e vote.