Um incêndio num prédio habitacional do Carregado, no concelho de Alenquer, provocou, na manhã de segunda-feira, a morte de um homem de 45 anos e deixou 11 feridos ligeiros, seis dos quais crianças.
O fogo obrigou à evacuação total do edifício e deixou dezenas de moradores sem poder regressar às suas casas, até que seja feita uma investigação que permita avaliar a extensão dos danos, nomeadamente ao nível da estrutura do edifício de apartamentos e das infraestruturas da rede elétrica, da canalização e das condutas de gás.
O alerta foi dado pelas 7.50 horas para um incêndio num apartamento do segundo andar de um prédio de nove pisos. À chegada dos meios de socorro, o fumo já se espalhava por todo o edifício, criando momentos de grande aflição entre os residentes.
"O fumo era intenso, estava nas habitações todas, em todos os andares. As chamas estavam confinadas ao segundo piso, no lado esquerdo", explicou, ao JN, Daniel Ribeiro, comandante dos Bombeiros de Alenquer. Segundo este, o combate inicial foi dificultado pela elevada carga térmica, mas a situação acabou por ser controlada. "Ao fim de uma hora e pouco, já tínhamos o incêndio dominado", referiu.
No local, testemunhos relataram que se ouviam gritos vindos das janelas dos pisos superiores e que havia crianças e adultos retidos, sem visibilidade nas escadas devido ao fumo negro. Alguns tiveram de ser retirados pelos bombeiros através de janelas.
A vítima mortal foi encontrada no interior do apartamento onde o incêndio teve início. "Estava na sala e ficou carbonizada", confirmou Daniel Ribeiro. O homem, de 45 anos, vivia com a mãe, que conseguiu sair para a rua antes da chegada dos meios de socorro e assistiu, em pânico e impotente, à destruição da casa, sem nada poder fazer para salvar o filho. Além da vítima mortal, 11 pessoas foram transportadas para o Hospital de Vila Franca de Xira, todas com ferimentos ligeiros, sobretudo por inalação de fumo. "Foram seis crianças e cinco adultos", precisou Daniel Ribeiro.
Vistoria técnica
Apesar do incêndio ter ficado confinado ao segundo andar, o edifício foi evacuado na totalidade, uma vez que o calor e o fumo poderão ter comprometido várias infraestruturas. Uma primeira vistoria técnica determinou que, para já, não existem condições de segurança para o regresso dos moradores, estando prevista uma inspeção mais aprofundada nos próximos dias.
Até lá, os moradores terão de encontrar soluções alternativas de alojamento. "Esse levantamento está a ser feito pela administração do condomínio, para que, em conjunto, possamos recolher essas necessidades e, depois, tomar uma decisão sobre quais os locais a acionar", adiantou Tiago Espírito Santo, responsável pela Proteção Civil Municipal de Alenquer.
As causas do incêndio estão a ser investigadas pela Polícia Judiciária. De acordo com o Comando Sub-regional do Oeste da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) no local estiveram 14 meios e 31 operacionais entre bombeiros de Alenquer e Castanheira do Ribatejo, GNR e a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do hospital de Vila Franca de Xira.