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Ana García viu a irmã grávida perder os sentidos em Andamuz e não pôde fazer nada

Descarrilamento provocou 40 mortos e 150 feridos Foto: EPA

Raquel, de 32 anos, grávida, permanece em estado crítico na sequência do descarrilamento de um comboio de alta velocidade em Adamuz, Córdova. A irmã, Ana García, assistiu a tudo de perto, mas viu-se impotente para a ajudar no meio do caos e dos destroços.

O terror vivido por quem esteve diretamente envolvido no acidente prolonga-se agora na angústia de não saber o destino dos familiares. É o caso de Ana García Aranda, de 26 anos, passageira do comboio de alta velocidade que descarrilou no domingo no município de Adamuz, em Córdova, provocando a morte a 40 pessoas e mais de uma centena de feridos.

Em declarações ao "El Mundo", a jovem, que seguia no sétimo vagão, contou que "teve sorte, mas a irmã não". "Virei-me, olhei para a minha irmã, como se me estivesse a despedir dela, e depois apagou-se tudo. A seguir, só ouvi gritos", relatou, ainda em estado de choque.

Ana tentou prestar auxílio à irmã, que se encontrava desmaiada, mas os destroços e uma criança caída no chão impediram-na de se aproximar. "Fui retirada por uma janela e, do outro lado, estava a minha irmã, inconsciente e grávida", acrescentou, explicando que alertou de imediato as autoridades para o facto de Raquel estar à espera de um bebé.

Raquel, de 32 anos, permanece internada em estado crítico numa unidade hospitalar da região. No comboio seguia também o companheiro de Raquel, que não corre perigo, assim como o cão do casal, Boro, que a jovem tentou salvar antes de perder os sentidos. O animal acabou por fugir.

Margarida Cerqueira