A Defesa Civil da Faixa de Gaza anunciou, esta quarta-feira, a morte de três jornalistas, incluindo um colaborador regular da agência de notícias AFP, num ataque aéreo israelita realizado no centro do território.
O ataque ocorreu na zona de Al-Zahra e os corpos dos três jornalistas foram "transferidos para o Hospital dos Mártires de Al-Aqsa, em Deir el-Balah", segundo um comunicado da Defesa Civil, uma organização resgate que opera sob o controlo do Hamas.
A Defesa Civil afirmou que os três jornalistas mortos são Anas Ghneim, Mohammed Salah Qashta e Abdoul Raouf Shaath.
Shaath, repórter de imagem independente, era colaborador regular da AFP desde a retirada dos jornalistas da agência francesa de Gaza, no início de 2024.
Contactado pela AFP, o Exército israelita disse estar a analisar as informações.
No local, uma testemunha relatou à AFP que os jornalistas estavam a utilizar um drone para filmar a distribuição de ajuda humanitária realizada por uma organização egípcia quando um automóvel que os acompanhava foi alvo de um ataque aéreo.
A Defesa Civil, por sua vez, referiu um ataque de um drone israelita contra "um veículo civil".
Shaath não estava ao serviço da AFP no momento do ataque, mas a sua última notícia para a agência foi publicada na segunda-feira.
O cessar-fogo, que entrou em vigor em 10 de outubro entre Israel e o Hamas, continua extremamente frágil. Os incidentes ocorrem diariamente, com ambos os lados a acusarem-se mutuamente de violar os seus termos, enquanto a situação humanitária no território permanece crítica.
Um total de 466 palestinianos foi morto desde o início do cessar-fogo, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas. O Exército israelita, por sua vez, reportou a morte de três soldados desde a mesma data.
Segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que defende a liberdade de imprensa, as forças israelitas mataram pelo menos 29 jornalistas palestinianos na Faixa de Gaza entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025.
Em particular, em 25 de agosto, ataques aéreos israelitas contra um hospital no sul da Faixa de Gaza mataram cinco jornalistas palestinianos, incluindo um funcionário da agência de notícias norte-americana Associated Press (AP).