"Marty Supreme": eis o filme que deu o Globo de Ouro de melhor ator a Timothée Chalamet. Estreia esta quinta-feira nos cinemas.
Quando as nomeações para a edição 98 dos Oscars forem anunciadas - saberemos tudo esta quinta-feira por volta da hora do almoço aqui na Europa -, estarão a começar as primeiras sessões de "Marty Supreme", um dos grandes candidatos e onde estará seguramente Timothée Chalamet, a quem apenas Wagner Moura, também premiado com um Globo em "O agente secreto", poderá retirar o Oscar.
Mas "Marty Supreme" está longe, muito longe, de ser um daqueles filmes de que apenas nos recordaremos por um ator ou uma atriz. Chalamet, cuja assombrosa recriação do jovem Bob Dylan em "A complete unknown" provou que é muito mais do que uma nova "cara bonita" em Hollywood, é apenas uma das muitas peças que tornam o filme uma experiência inolvidável e um retrato da América de hoje, apesar da história se desenrolar na década de 1950.
Inscrevendo-se no segmento de filmes vagamente inspirados em factos e personagens verídicas, "Marty" tem por detrás a história de Marty Reisman, campeão norte-americano de ténis de mesa durante vários anos, inventor de movimentos inéditos, mas também conhecido pelas suas manigâncias fora dos recintos.
O Marty de Chalamet, e do realizador Josh Safdie, é a encarnação de uma espécie se ser americano, pelo que, como muitos filmes de época, aquilo de que nos fala é da América de hoje, da que vemos atónitos deste lado do oceano. Mas, paradoxalmente, sem perder as raízes e a vitalidade de uma nação, afinal como todas as outras, mas amplificada à sua dimensão, tem os seus contras mas também os seus prós.
Josh Safdie mostra como é possível fazer com que um filme de autor pareça um blockbuster. Ao longo das suas duas horas e meia, filme não nos larga, num puzzle sensorial, numa corrida frenética entre emoções, que nos estimula e reconcilia com a experiência única de ir ao cinema.
"Marty Supreme"
De: Josh Safdie
Com: Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow, Abel Ferrara
Drama/Comédia, 2025, 2h29m